A suspensão da conta Weibo de Guo Mei, “Guo Mei May Works Hard”, em novembro de 2025, causou repercussões nas redes sociais chinesas. A conta, que já tinha milhões de seguidores e servia como vitrine de estilos de vida luxuosos e gastos ostentatórios, foi agora permanentemente encerrada. Essa não foi uma decisão arbitrária — a ação da plataforma reflete uma mudança deliberada na regulação do ciberespaço, marcando um momento em que as autoridades estão traçando uma linha clara entre entretenimento e promoção de valores que podem prejudicar a sociedade.
Para muitos observadores online, o encerramento foi uma espécie de validação. Os internautas reagiram com apoio, apontando que as violações repetidas de Guo Mei ao longo de quase uma década representavam não um erro momentâneo, mas um padrão de conduta deliberada que ficou sem fiscalização por tempo demais.
O Padrão Guo Mei: Anos de Violações e Falta de Reforma
A história não começa com a recente proibição da conta. Começa com uma mentira. Em 2011, Guo Mei usou o Weibo sob uma identidade falsa, alegando representar a divisão comercial da Cruz Vermelha da China. Ela exibiu sua riqueza na plataforma, gerando debates acalorados sobre a veracidade de suas alegações e levantando questões sobre quão facilmente as falsidades podem se espalhar online. Poucos esperavam que isso fosse o início de uma saga muito mais longa.
Anos se passaram. Em 2015, ela enfrentou consequências criminais por administrar uma operação de jogo ilegal — uma violação grave que lhe rendeu uma sentença de 5 anos de prisão. A maioria esperaria que uma condenação assim fosse um alerta. Mas, após sua libertação, Guo Mei mostrou que não aprendeu nada. Em 2021, foi condenada novamente, desta vez por vender suplementos para perda de peso contendo substâncias proibidas — mais 2 anos e 6 meses na prisão.
Depois de acumular mais de sete anos na prisão, em duas sentenças distintas, seria razoável supor que ela refletiria e se arrependeria. Mas, quando Guo Mei foi libertada em setembro de 2023, ela voltou às redes sociais como se o sistema nunca tivesse tocado nela. Os exibições de riqueza recomeçaram, agora reembaladas como conteúdo: vídeos curtos exibindo bens de luxo, transmissões ao vivo onde ela casualmente proclamava que “ganhar dez milhões por ano é uma conquista comum”, e momentos cuidadosamente selecionados para posicionar um estilo de vida extravagante como não apenas desejável, mas alcançável.
Por que a plataforma teve que agir: Protegendo o público vulnerável
O que tornava o conteúdo de Guo Mei particularmente preocupante não era apenas que ela promovia consumo conspícuo — eram os valores embutidos nessa promoção. Ela não apenas se exibindo; ela ativamente vendia uma visão de mundo centrada no materialismo, na aparência física como medida de valor, e na riqueza como o objetivo máximo da vida. Ainda mais alarmante, adolescentes estavam entre seu público, e pesquisas sobre influência online mostram que os jovens são especialmente suscetíveis a narrativas de atalhos para o sucesso e aspirações de estilo de vida.
Os produtos que ela recomendava frequentemente não atendiam aos padrões básicos de qualidade. O caso dos suplementos para perda de peso foi apenas um exemplo. Ao usar sua plataforma para promover bens potencialmente prejudiciais, Guo Mei não operava em uma zona cinzenta moral — ela infringia os direitos do consumidor enquanto moldava os valores de jovens espectadores que poderiam tomar decisões de compra baseadas em suas recomendações.
Segundo Zhou Hui, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências Sociais, a situação atingiu um ponto crítico. “As ações de Guo Mei têm consequências sociais prejudiciais”, observou Hui. “As plataformas não podem se limitar a fiscalizar registros; devem estar dispostas a aplicar banimentos permanentes quando indivíduos demonstram um padrão de comportamento prejudicial.”
Uma repressão mais ampla: O fim do ‘Tráfego a Qualquer Custo’
A suspensão da conta de Guo Mei não ocorreu isoladamente. Ela faz parte de um movimento maior na governança do ciberespaço chinês — que rejeita explicitamente a ideia de que o tráfego online justifica qualquer conteúdo ou valor.
Nos últimos anos, as autoridades e plataformas coordenaram ações para fechar contas envolvidas em evasão fiscal, contas criadas deliberadamente para semear divisão entre comunidades, e contas que promovem estilos de vida ou valores contrários à estabilidade social. Cada encerramento envia a mesma mensagem: a internet não é um território sem lei, e gerar visualizações não é uma licença para desrespeitar a ordem pública ou os padrões morais.
O tratamento do caso de Guo Mei pelo Escritório Central de Informação da Internet exemplifica essa mudança. Em vez de ver suas violações como incidentes isolados, os reguladores as reconheceram como parte de um padrão contínuo. A decisão de banir sua conta de forma definitiva — e não temporária — sinaliza que tais contas não são mais toleradas dentro do ecossistema das plataformas.
O que isso significa para a cidadania digital
O consenso entre internautas, especialistas jurídicos e formuladores de políticas é bastante unificado: figuras públicas na internet têm uma responsabilidade social que vai muito além de gerar engajamento. Como figuras públicas, são influenciadores culturais cujas palavras e imagens moldam comportamentos e aspirações, especialmente entre os mais jovens.
Isso não significa que todo criador de conteúdo precise se tornar um crusader moral. Mas significa que, quando alguém constrói uma audiência especificamente em torno de valores e comportamentos conhecidos por serem prejudiciais à sociedade — materialismo sem mérito, consumo sem propósito, valor baseado na aparência — e tem um histórico de violações legais, as plataformas têm o direito e a responsabilidade de dizer não.
A suspensão da conta também envia uma mensagem aos aspirantes a criadores de conteúdo: autenticidade e contribuição positiva tendem à longevidade, enquanto atalhos e táticas eticamente questionáveis eventualmente colapsam. Guo Mei acumulou uma grande quantidade de seguidores, transformou isso em influência, e essa influência a levou a violações que, por fim, lhe custaram completamente a plataforma.
O caminho a seguir: Limpeza do ciberespaço
O ciberespaço, como qualquer espaço comum, requer manutenção. É preciso que as plataformas apliquem padrões de forma consistente, que os reguladores fiscalizem as violações, e que os usuários reconheçam a diferença entre entretenimento e manipulação. O encerramento da conta de Guo Mei representa mais um passo nessa direção.
A lição mais ampla é simples: o tráfego vai diminuir. Os seguidores migrarão. As tendências mudarão. A única medida de sucesso duradouro no mundo digital é a adesão às fronteiras legais, o respeito pelos padrões públicos e o compromisso de transmitir valores positivos, ao invés de explorar vulnerabilidades.
O caso de Guo Mei serve tanto como estudo de caso quanto como advertência para quem deseja construir uma carreira nos espaços digitais. A era do sensacionalismo sem consequências está chegando ao fim. O ciberespaço está se tornando responsável, e isso, em última análise, é uma boa notícia para todos que dependem dele como um espaço de conexão genuína e informação autêntica.
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Quando termina a presença de plataforma de Guo Mei: o que isso significa para a responsabilidade online
A suspensão da conta Weibo de Guo Mei, “Guo Mei May Works Hard”, em novembro de 2025, causou repercussões nas redes sociais chinesas. A conta, que já tinha milhões de seguidores e servia como vitrine de estilos de vida luxuosos e gastos ostentatórios, foi agora permanentemente encerrada. Essa não foi uma decisão arbitrária — a ação da plataforma reflete uma mudança deliberada na regulação do ciberespaço, marcando um momento em que as autoridades estão traçando uma linha clara entre entretenimento e promoção de valores que podem prejudicar a sociedade.
Para muitos observadores online, o encerramento foi uma espécie de validação. Os internautas reagiram com apoio, apontando que as violações repetidas de Guo Mei ao longo de quase uma década representavam não um erro momentâneo, mas um padrão de conduta deliberada que ficou sem fiscalização por tempo demais.
O Padrão Guo Mei: Anos de Violações e Falta de Reforma
A história não começa com a recente proibição da conta. Começa com uma mentira. Em 2011, Guo Mei usou o Weibo sob uma identidade falsa, alegando representar a divisão comercial da Cruz Vermelha da China. Ela exibiu sua riqueza na plataforma, gerando debates acalorados sobre a veracidade de suas alegações e levantando questões sobre quão facilmente as falsidades podem se espalhar online. Poucos esperavam que isso fosse o início de uma saga muito mais longa.
Anos se passaram. Em 2015, ela enfrentou consequências criminais por administrar uma operação de jogo ilegal — uma violação grave que lhe rendeu uma sentença de 5 anos de prisão. A maioria esperaria que uma condenação assim fosse um alerta. Mas, após sua libertação, Guo Mei mostrou que não aprendeu nada. Em 2021, foi condenada novamente, desta vez por vender suplementos para perda de peso contendo substâncias proibidas — mais 2 anos e 6 meses na prisão.
Depois de acumular mais de sete anos na prisão, em duas sentenças distintas, seria razoável supor que ela refletiria e se arrependeria. Mas, quando Guo Mei foi libertada em setembro de 2023, ela voltou às redes sociais como se o sistema nunca tivesse tocado nela. Os exibições de riqueza recomeçaram, agora reembaladas como conteúdo: vídeos curtos exibindo bens de luxo, transmissões ao vivo onde ela casualmente proclamava que “ganhar dez milhões por ano é uma conquista comum”, e momentos cuidadosamente selecionados para posicionar um estilo de vida extravagante como não apenas desejável, mas alcançável.
Por que a plataforma teve que agir: Protegendo o público vulnerável
O que tornava o conteúdo de Guo Mei particularmente preocupante não era apenas que ela promovia consumo conspícuo — eram os valores embutidos nessa promoção. Ela não apenas se exibindo; ela ativamente vendia uma visão de mundo centrada no materialismo, na aparência física como medida de valor, e na riqueza como o objetivo máximo da vida. Ainda mais alarmante, adolescentes estavam entre seu público, e pesquisas sobre influência online mostram que os jovens são especialmente suscetíveis a narrativas de atalhos para o sucesso e aspirações de estilo de vida.
Os produtos que ela recomendava frequentemente não atendiam aos padrões básicos de qualidade. O caso dos suplementos para perda de peso foi apenas um exemplo. Ao usar sua plataforma para promover bens potencialmente prejudiciais, Guo Mei não operava em uma zona cinzenta moral — ela infringia os direitos do consumidor enquanto moldava os valores de jovens espectadores que poderiam tomar decisões de compra baseadas em suas recomendações.
Segundo Zhou Hui, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências Sociais, a situação atingiu um ponto crítico. “As ações de Guo Mei têm consequências sociais prejudiciais”, observou Hui. “As plataformas não podem se limitar a fiscalizar registros; devem estar dispostas a aplicar banimentos permanentes quando indivíduos demonstram um padrão de comportamento prejudicial.”
Uma repressão mais ampla: O fim do ‘Tráfego a Qualquer Custo’
A suspensão da conta de Guo Mei não ocorreu isoladamente. Ela faz parte de um movimento maior na governança do ciberespaço chinês — que rejeita explicitamente a ideia de que o tráfego online justifica qualquer conteúdo ou valor.
Nos últimos anos, as autoridades e plataformas coordenaram ações para fechar contas envolvidas em evasão fiscal, contas criadas deliberadamente para semear divisão entre comunidades, e contas que promovem estilos de vida ou valores contrários à estabilidade social. Cada encerramento envia a mesma mensagem: a internet não é um território sem lei, e gerar visualizações não é uma licença para desrespeitar a ordem pública ou os padrões morais.
O tratamento do caso de Guo Mei pelo Escritório Central de Informação da Internet exemplifica essa mudança. Em vez de ver suas violações como incidentes isolados, os reguladores as reconheceram como parte de um padrão contínuo. A decisão de banir sua conta de forma definitiva — e não temporária — sinaliza que tais contas não são mais toleradas dentro do ecossistema das plataformas.
O que isso significa para a cidadania digital
O consenso entre internautas, especialistas jurídicos e formuladores de políticas é bastante unificado: figuras públicas na internet têm uma responsabilidade social que vai muito além de gerar engajamento. Como figuras públicas, são influenciadores culturais cujas palavras e imagens moldam comportamentos e aspirações, especialmente entre os mais jovens.
Isso não significa que todo criador de conteúdo precise se tornar um crusader moral. Mas significa que, quando alguém constrói uma audiência especificamente em torno de valores e comportamentos conhecidos por serem prejudiciais à sociedade — materialismo sem mérito, consumo sem propósito, valor baseado na aparência — e tem um histórico de violações legais, as plataformas têm o direito e a responsabilidade de dizer não.
A suspensão da conta também envia uma mensagem aos aspirantes a criadores de conteúdo: autenticidade e contribuição positiva tendem à longevidade, enquanto atalhos e táticas eticamente questionáveis eventualmente colapsam. Guo Mei acumulou uma grande quantidade de seguidores, transformou isso em influência, e essa influência a levou a violações que, por fim, lhe custaram completamente a plataforma.
O caminho a seguir: Limpeza do ciberespaço
O ciberespaço, como qualquer espaço comum, requer manutenção. É preciso que as plataformas apliquem padrões de forma consistente, que os reguladores fiscalizem as violações, e que os usuários reconheçam a diferença entre entretenimento e manipulação. O encerramento da conta de Guo Mei representa mais um passo nessa direção.
A lição mais ampla é simples: o tráfego vai diminuir. Os seguidores migrarão. As tendências mudarão. A única medida de sucesso duradouro no mundo digital é a adesão às fronteiras legais, o respeito pelos padrões públicos e o compromisso de transmitir valores positivos, ao invés de explorar vulnerabilidades.
O caso de Guo Mei serve tanto como estudo de caso quanto como advertência para quem deseja construir uma carreira nos espaços digitais. A era do sensacionalismo sem consequências está chegando ao fim. O ciberespaço está se tornando responsável, e isso, em última análise, é uma boa notícia para todos que dependem dele como um espaço de conexão genuína e informação autêntica.