A Alemanha enfrenta a elevada dependência energética: o papel da Noruega na estratégia de diversificação

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A economia alemã enfrenta um desafio energético crítico. A elevada concentração nas fornecimentos americanos de gás natural liquefeito coloca riscos significativos para a estabilidade económica do continente. Em resposta, o chanceler Olaf Scholz está a traçar uma rota rumo ao Médio Oriente para explorar novas parcerias energéticas, consciente de que a dependência atual do sistema americano gera vulnerabilidades geopolíticas e económicas.

Scholz em missão: a viagem diplomática pelo Golfo Pérsico

A estratégia alemã concretiza-se numa missão diplomática que envolve os principais países produtores de energia. Scholz, acompanhado por uma delegação de líderes empresariais, viajará a Riade na quarta-feira para encontrar o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Na quinta-feira, seguirá para o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, regressando a Berlim na sexta-feira à noite. Esta viagem representa a tentativa alemã de fragmentar os seus riscos energéticos e de construir uma rede de fornecedores alternativa, reduzindo o vínculo direto com Washington.

Os riscos da elevada dependência dos Estados Unidos

Especialistas em política energética alemã alertam para os perigos associados a uma concentração excessiva nas fornecimentos americanos. Susanne Nies, especialista do Centro de Investigação Helmholtz de Berlim, destaca como desenvolvimentos autoritários na governação americana e o chantagem geopolítico representam ameaças concretas à estabilidade dos preços e do fornecimento. Claudia Kemfert, responsável pelo Departamento de Energia do Instituto Alemão de Investigação Económica, reforça que a alta dependência cria lacunas de segurança e volatilidade nos custos energéticos, transformando as escolhas de abastecimento em questões estratégicas globais.

A Noruega e outras alternativas: a nova orientação

Para enfrentar esta situação, os especialistas indicam caminhos alternativos concretos. A Noruega surge como opção privilegiada, com o seu gás por pipeline fiável e os laços diplomáticos consolidados com a Europa. Paralelamente, o Canadá e a Austrália representam fontes de GNL mais estáveis do que os Estados Unidos, oferecendo contratos a longo prazo menos sujeitos a pressões políticas. Estes países permitiriam à Alemanha manter o controlo dos preços e evitar o chantagem energética.

Além da mudança de fornecedores: uma transformação energética estrutural

No entanto, os especialistas sugerem que a verdadeira solução não reside na simples troca de países fornecedores. Kemfert alerta que a Alemanha deve usar esta crise como catalisador para uma transformação mais profunda: reduzir globalmente a dependência dos combustíveis fósseis. Em vez de limitar-se a pluralizar os fornecedores, o país deve acelerar a transição para as energias renováveis, criando uma economia energética independente e sustentável a longo prazo.

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