Tipos de stablecoins: características de 4 modelos e pontos importantes para a escolha

As stablecoins são moedas digitais que ocupam uma posição única no mercado de ativos digitais. Ao contrário do Bitcoin ou Ethereum, existem várias categorias de stablecoins, todas projetadas com prioridade à estabilidade de preço, cada uma com mecanismos e usos distintos. Este artigo explica detalhadamente as diferenças entre as quatro principais categorias de stablecoins, ajudando-o a fazer a escolha mais adequada às suas necessidades.

Visão geral das 4 categorias de stablecoins: conceitos básicos até a seleção

Um ponto importante que os utilizadores do mercado de ativos digitais devem compreender inicialmente é que os mecanismos de estabilização variam significativamente entre os diferentes tipos de stablecoins. Existem stablecoins atreladas a moedas emitidas por governos, modelos garantidos por criptomoedas, vinculadas a commodities físicas e aquelas que usam algoritmos para ajuste automático — cada abordagem possui vantagens e riscos próprios.

Compreender as categorias de stablecoins permite utilizá-las em diversas situações, como operações em DeFi, remessas internacionais e proteção contra inflação. Conhecer o básico de cada tipo fornece uma base sólida para reagir com calma às rápidas mudanças do mercado.

Diferenças entre stablecoins e principais criptomoedas

Para entender a importância das stablecoins, é útil compará-las com criptomoedas como Bitcoin e Ethereum. A tabela abaixo resume suas características:

Características Stablecoin Bitcoin Ethereum
Objetivo principal Manutenção de estabilidade de preço Armazenamento de valor / ouro digital Contratos inteligentes / plataforma dApp
Volatilidade Baixa (valor atrelado) Alta Alta
Garantia Moeda fiduciária, commodities ou algoritmo Sem garantia física (oferta limitada) Sem garantia física (tokens de utilidade)
Usos principais Troca, estabilidade em DeFi, remessas Investimento de longo prazo, reserva de valor Aplicações descentralizadas, DeFi
Estabilidade de preço Alta Dependente da oferta e demanda do mercado Dependente da oferta e demanda do mercado

Por isso, cada tipo de stablecoin é mais adequado a diferentes cenários.

Guia das 4 categorias de stablecoins

1. Stablecoins lastreadas em moeda fiduciária: a opção mais confiável

São stablecoins atreladas a moedas emitidas por governos, como o dólar americano. Cada token equivale a uma unidade de moeda fiduciária mantida em uma conta bancária, com auditorias periódicas garantindo transparência.

Exemplos principais:

  • Tether (USDT) — A maior stablecoin por valor de mercado, amplamente utilizada em exchanges e DeFi.
  • USD Coin (USDC) — Emitida pela Circle e Coinbase, reconhecida por auditorias mensais e alta transparência.
  • First Digital USD (FDUSD) — Emitida pela Hong Kong’s First Digital Trust Limited, totalmente garantida e regulada.

Vantagens:

  • Estrutura simples, ideal para iniciantes
  • Alta liquidez, amplamente aceita
  • Auditorias regulares reforçam a confiança na paridade
  • Remessas internacionais rápidas e de baixo custo

Desvantagens:

  • Confiança na entidade emissora, que deve comprovar a reserva
  • Operação centralizada, sujeita a regulações

Quando usar: Para iniciantes, como moeda de referência em DeFi, remessas internacionais de baixo custo e situações que priorizam estabilidade.

2. Stablecoins garantidas por criptomoedas: foco em descentralização e transparência

São lastreadas por criptomoedas, não por moedas fiduciárias, e mantêm garantias em contratos inteligentes. Geralmente, usam excesso de garantia e mecanismos automáticos de liquidação.

Exemplos principais:

  • DAI — Emitida pelo protocolo MakerDAO, lastreada por múltiplos ativos, com excesso de garantia.
  • sUSD — Emitida pela Synthetix, exige garantia superior a 500%, resistente a quedas de mercado.
  • WBTC — Tokenizado de Bitcoin na Ethereum, permite usar Bitcoin em DeFi.

Como funciona:

Usuários depositam ETH ou WBTC em smart contracts (colaterais), podendo gerar DAI até um limite (tipicamente 150%). Se o valor do colateral cair, o sistema realiza liquidações automáticas. Parâmetros ajustados pela governança comunitária.

Riscos:

  • Variação de preço do colateral pode causar liquidações em massa
  • Mercado em queda pode gerar uma cadeia de liquidações
  • Vulnerabilidades em contratos inteligentes podem levar a perdas

Quando usar: Para usuários com maior conhecimento técnico, buscando rendimento em DeFi ou preferindo transparência e descentralização.

3. Stablecoins lastreadas em commodities: exposição a ativos reais

Vinculadas a bens físicos como ouro ou prata, cada token corresponde a uma quantidade específica de ativo, com possibilidade de troca por o ativo real.

Exemplos principais:

  • Pax Gold (PAXG) — Cada token representa uma onça troy de ouro, armazenada em cofres certificados, com auditorias e opção de resgate físico.
  • Tether Gold (XAUT) — Token lastreado em ouro, com armazenamento na Suíça, permitindo tanto negociação quanto retirada do ativo físico.

Como funciona:

Mantém a ligação com o valor do ouro, oferecendo proteção contra inflação e preservação de valor. O preço do token acompanha o valor do ativo subjacente, podendo subir com a valorização do ouro.

Cuidados: O ouro também sofre variações de mercado e influência de políticas econômicas. A segurança depende da gestão e auditoria do emissor.

4. Stablecoins algorítmicas: inovação com maior risco

Não possuem garantia física, usando contratos inteligentes que ajustam automaticamente a oferta para manter o preço estável. Baseiam-se em algoritmos que aumentam ou reduzem a circulação de tokens conforme necessário.

Desafios:

  • Sem lastro físico, dependem da confiança no algoritmo
  • Mercado pode sofrer choques e desestabilizar o preço
  • Risco de ciclos viciosos de queda de valor (depeg)

Exemplos e lições:

  • Ampleforth (AMPL) — Usa rebase diário para ajustar a quantidade de tokens na carteira
  • USDD — Modelo híbrido com garantias parciais e incentivos de staking

O colapso do TerraUSD (UST) em 2022 exemplifica os riscos dessa categoria, com uma perda de cerca de 40 bilhões de dólares em valor de mercado após a falência do sistema.

Para quem é indicado: Investidores experientes dispostos a aceitar riscos elevados, cientes de que podem perder todo o investimento.

Como escolher a stablecoin ideal para você

Para selecionar a stablecoin mais adequada, avalie os seguintes fatores:

Critérios essenciais

1. Estabilidade e transparência
Verifique se há auditorias regulares e se a paridade é mantida em momentos de estresse de mercado. Stablecoins lastreadas em moeda fiduciária geralmente oferecem maior transparência.

2. Confiabilidade do emissor
Investigue a reputação, a jurisdição e o histórico do projeto. Evite projetos com problemas anteriores.

3. Compreensão do modelo de garantia
Entenda se é lastreada por moeda fiduciária, criptomoedas, commodities ou algoritmos, e avalie seu apetite ao risco.

4. Liquidez e presença no mercado
Prefira stablecoins com alto volume de negociação e suporte em várias exchanges e blockchains.

Perfil de risco e recomendações

Baixo risco / iniciantes:
USDC, USDT — simples, reguladas, com alta liquidez.

Risco moderado / intermediários:
DAI — descentralizada, com maior potencial de rendimento, mas com riscos de colaterais.

Proteção contra inflação:
PAXG, XAUT — lastreadas em ouro, indicadas para preservação de valor a longo prazo.

Alto risco / investidores avançados:
Stablecoins algorítmicas — como AMPL, USDD, apenas para quem compreende os riscos.

Compra e armazenamento

As stablecoins podem ser adquiridas em exchanges com cartão de crédito ou transferência bancária. Serviços de carteira digital também facilitam compra, armazenamento e uso direto, especialmente com suporte multi-chain.

Conclusão: a escolha da stablecoin depende do seu uso

As stablecoins se dividem em quatro grandes categorias, cada uma atendendo a diferentes necessidades e perfis de risco. Conhecer suas diferenças permite fazer escolhas conscientes, alinhadas ao seu objetivo, seja proteção, rendimento ou uso cotidiano.

  • Lastreadas em moeda fiduciária: mais simples, reguladas, com maior transparência
  • Garantidas por criptomoedas: descentralizadas, com maior controle e transparência na cadeia
  • Por commodities: proteção contra inflação e exposição a ativos reais
  • Algorítmicas: inovação, porém com maior risco de desvalorização

Entender as diferenças básicas ajuda a selecionar a stablecoin mais adequada ao seu perfil, necessidades e conhecimentos técnicos. Com o avanço da regulação e novas soluções tecnológicas, o universo das stablecoins continuará evoluindo rapidamente.

Para quem está começando, recomenda-se inicialmente usar stablecoins lastreadas em moeda fiduciária para ganhar experiência, e posteriormente explorar outras categorias conforme o conhecimento e a confiança aumentarem. Faça escolhas informadas com base nas características de cada uma.

Perguntas frequentes

Q. Qual stablecoin é mais recomendada para iniciantes?
A. USDC ou USDT, por serem simples, reguladas e amplamente suportadas.

Q. Qual oferece mais oportunidades de rendimento?
A. DAI, por sua compatibilidade com DeFi, empréstimos, yield farming e staking.

Q. Stablecoins algorítmicas valem a pena?
A. São de alto risco, com potencial de desvalorização rápida; só para investidores experientes que aceitam perdas totais.

Q. Qual stablecoin é melhor para proteção contra inflação?
A. PAXG e XAUT, lastreadas em ouro, oferecem proteção contra a perda de valor da moeda fiduciária.

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