A propriedade do gigante mundial dos diamantes De Beers está a atravessar uma viragem histórica! Com o mercado global de diamantes a enfrentar um inverno devido à fraqueza da procura e ao impacto dos diamantes sintéticos, a maioria dos acionistas, o Anglo American, está a acelerar o processo de venda, sendo altamente provável que o comprador final seja um consórcio composto por governos soberanos africanos e capitais privados.
Em 9 de fevereiro, segundo o Financial Times do Reino Unido, o CEO do Anglo American, Duncan Wanblad, afirmou que, apesar da deterioração contínua do mercado de diamantes, a empresa pretende concluir a venda da De Beers ainda este ano. Ele revelou que a processo de venda “está relativamente a progredir bem”, e que “quase de certeza” o governo de Botsuana obterá uma participação maior na empresa.
A reportagem indica que esta transação está na fase final de licitação de segunda fase, com o comprador “muito provavelmente” a ser um consórcio, formado por entidades governamentais e privadas. Para além de Botsuana, o governo de Angola já manifestou interesse em adquirir entre 20-30% das ações, e a Namíbia também está a ponderar se irá licitar por uma participação minoritária.
A crescente concorrência dos diamantes sintéticos, juntamente com o aumento de tarifas de importação dos EUA sobre diamantes polidos da Índia, entre outros fatores, levou o Anglo American a emitir um aviso este mês de que poderá ser forçado a fazer uma redução de valor nos ativos da De Beers pelo terceiro ano consecutivo. Apesar de analistas questionarem se este é o fundo do mercado, a administração do Anglo American mantém a posição de que a alienação deste ativo de diamantes em dificuldades é a melhor estratégia para garantir retornos aos acionistas.
Governos de múltiplos países disputam ativos de diamantes
O governo de Botsuana desempenha um papel crucial nesta venda. Segundo relatos, o país detém atualmente 15% das ações da De Beers, tendo o seu presidente, Duma Boko, declarado publicamente o desejo de aumentar essa participação.
Wanblad afirmou abertamente que, “Botsuana é o fator decisivo aqui, pois são eles os principais acionistas do negócio”. Assim que o Anglo American identificar o seu comprador preferido, a empresa terá de negociar não só os termos com o comprador (seja uma pessoa ou um consórcio), mas também chegar a um acordo com o governo de Botsuana.
A reportagem destaca que esta estrutura acionista especial significa que qualquer decisão sobre o futuro da De Beers não pode passar sem a vontade de Gaborone (a capital de Botsuana).
Para além de Botsuana, outros países produtores de diamantes na África também estão a procurar uma fatia nesta gigante do setor, impulsionando a transferência de propriedade para o continente africano.
Segundo relatos, durante a conferência Indaba de mineração, realizada esta semana na África do Sul, funcionários do governo de Angola afirmaram que o país tem interesse em adquirir entre 20% e 30% das ações da De Beers.
Entretanto, fontes próximas revelaram que a Namíbia, responsável por cerca de uma décima parte da produção de diamantes da De Beers, também está a ponderar se irá licitar por uma participação minoritária.
Analistas consideram que esta intervenção de múltiplos governos confirma que o comprador final será provavelmente um consórcio formado por uma parceria público-privada.
O mercado de diamantes enfrenta uma tempestade perfeita
A crise da De Beers reflete os desafios severos que toda a indústria de diamantes naturais enfrenta atualmente.
Para além da ameaça de substituição estrutural por diamantes sintéticos de baixo custo, e do impacto na procura causado pelo consumo de bens de luxo, as tarifas de importação impostas pelos EUA sobre diamantes polidos da Índia — principal centro de polimento — dificultam ainda mais o fluxo comercial, impedindo que as matérias-primas circulem “como de costume”.
Dado o ambiente de mercado “difícil” que se agravou no ano passado, Wanblad admitiu que o cronograma para concluir a venda dependerá principalmente do tempo de obtenção de financiamento.
Apesar de analistas criticarem que vender ativos numa fase de mercado em baixa possa levar à perda de valor, o Anglo American está decidido. Wanblad destacou que a empresa deve concentrar-se em negócios que maximizem o retorno aos acionistas, “e isso não inclui manter a De Beers”.
Além disso, no relatório de resultados anuais a ser divulgado na próxima semana, o risco de redução de valor dos ativos da De Beers também reforça a urgência do Anglo American em alienar este ativo.
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Colapso do diamante, a De Beers vai ser "vendida para a África"
A propriedade do gigante mundial dos diamantes De Beers está a atravessar uma viragem histórica! Com o mercado global de diamantes a enfrentar um inverno devido à fraqueza da procura e ao impacto dos diamantes sintéticos, a maioria dos acionistas, o Anglo American, está a acelerar o processo de venda, sendo altamente provável que o comprador final seja um consórcio composto por governos soberanos africanos e capitais privados.
Em 9 de fevereiro, segundo o Financial Times do Reino Unido, o CEO do Anglo American, Duncan Wanblad, afirmou que, apesar da deterioração contínua do mercado de diamantes, a empresa pretende concluir a venda da De Beers ainda este ano. Ele revelou que a processo de venda “está relativamente a progredir bem”, e que “quase de certeza” o governo de Botsuana obterá uma participação maior na empresa.
A reportagem indica que esta transação está na fase final de licitação de segunda fase, com o comprador “muito provavelmente” a ser um consórcio, formado por entidades governamentais e privadas. Para além de Botsuana, o governo de Angola já manifestou interesse em adquirir entre 20-30% das ações, e a Namíbia também está a ponderar se irá licitar por uma participação minoritária.
A crescente concorrência dos diamantes sintéticos, juntamente com o aumento de tarifas de importação dos EUA sobre diamantes polidos da Índia, entre outros fatores, levou o Anglo American a emitir um aviso este mês de que poderá ser forçado a fazer uma redução de valor nos ativos da De Beers pelo terceiro ano consecutivo. Apesar de analistas questionarem se este é o fundo do mercado, a administração do Anglo American mantém a posição de que a alienação deste ativo de diamantes em dificuldades é a melhor estratégia para garantir retornos aos acionistas.
Governos de múltiplos países disputam ativos de diamantes
O governo de Botsuana desempenha um papel crucial nesta venda. Segundo relatos, o país detém atualmente 15% das ações da De Beers, tendo o seu presidente, Duma Boko, declarado publicamente o desejo de aumentar essa participação.
Wanblad afirmou abertamente que, “Botsuana é o fator decisivo aqui, pois são eles os principais acionistas do negócio”. Assim que o Anglo American identificar o seu comprador preferido, a empresa terá de negociar não só os termos com o comprador (seja uma pessoa ou um consórcio), mas também chegar a um acordo com o governo de Botsuana.
A reportagem destaca que esta estrutura acionista especial significa que qualquer decisão sobre o futuro da De Beers não pode passar sem a vontade de Gaborone (a capital de Botsuana).
Para além de Botsuana, outros países produtores de diamantes na África também estão a procurar uma fatia nesta gigante do setor, impulsionando a transferência de propriedade para o continente africano.
Segundo relatos, durante a conferência Indaba de mineração, realizada esta semana na África do Sul, funcionários do governo de Angola afirmaram que o país tem interesse em adquirir entre 20% e 30% das ações da De Beers.
Entretanto, fontes próximas revelaram que a Namíbia, responsável por cerca de uma décima parte da produção de diamantes da De Beers, também está a ponderar se irá licitar por uma participação minoritária.
Analistas consideram que esta intervenção de múltiplos governos confirma que o comprador final será provavelmente um consórcio formado por uma parceria público-privada.
O mercado de diamantes enfrenta uma tempestade perfeita
A crise da De Beers reflete os desafios severos que toda a indústria de diamantes naturais enfrenta atualmente.
Para além da ameaça de substituição estrutural por diamantes sintéticos de baixo custo, e do impacto na procura causado pelo consumo de bens de luxo, as tarifas de importação impostas pelos EUA sobre diamantes polidos da Índia — principal centro de polimento — dificultam ainda mais o fluxo comercial, impedindo que as matérias-primas circulem “como de costume”.
Dado o ambiente de mercado “difícil” que se agravou no ano passado, Wanblad admitiu que o cronograma para concluir a venda dependerá principalmente do tempo de obtenção de financiamento.
Apesar de analistas criticarem que vender ativos numa fase de mercado em baixa possa levar à perda de valor, o Anglo American está decidido. Wanblad destacou que a empresa deve concentrar-se em negócios que maximizem o retorno aos acionistas, “e isso não inclui manter a De Beers”.
Além disso, no relatório de resultados anuais a ser divulgado na próxima semana, o risco de redução de valor dos ativos da De Beers também reforça a urgência do Anglo American em alienar este ativo.
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