RMB offshore vs RMB onshore: a «liberdade» e «estabilidade» nos pagamentos transfronteiriços

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Por que é que o pagamento transfronteiriço envolve dois sistemas de RMB? Quando precisas de transferir dinheiro da China para o estrangeiro, ou investir na bolsa continental a partir de Hong Kong, vais notar que a taxa de câmbio do RMB offshore (CNH) e do RMB onshore (CNY) não é igual — às vezes a diferença é até bastante grande. Este design aparentemente complexo tem, na verdade, uma lógica económica profunda por trás.

Um mercado com forte controlo, outro com flutuação livre — quão diferentes são as taxas de câmbio?

RMB onshore (CNY) é a “versão doméstica”

O RMB negociado na China continental é totalmente controlado pelo banco central (Banco Popular da China). Este define uma faixa de flutuação diária de ±2% na taxa de câmbio, como uma espécie de proteção — independentemente das oscilações do mercado internacional, a variação da taxa no mercado interno tem um limite. Isto proporciona estabilidade financeira, permitindo às empresas e indivíduos prever melhor os riscos. A desvantagem é que a flexibilidade é limitada; se a política do banco central divergir demasiado do mercado internacional, surgem oportunidades de arbitragem.

RMB offshore (CNH) é a “versão internacional”

Nos mercados fora da China, como Hong Kong, Londres, Singapura, o negociação do RMB é totalmente ditada pela oferta e procura. Sem intervenção do banco central, sem limites de flutuação, os investidores internacionais podem comprar e vender livremente. Isto faz com que o RMB offshore seja mais sensível a choques externos — por exemplo, se o Federal Reserve aumentar as taxas, o capital internacional pode rapidamente vender RMB, fazendo a taxa cair. Mas, precisamente por essa “liberdade”, o mercado de RMB offshore tem alta liquidez, sendo preferido por empresas multinacionais e fundos de investimento.

A diferença mais óbvia entre os dois é a volatilidade da taxa de câmbio. O RMB offshore oscila mais, enquanto o RMB onshore é controlado — isto influencia a tua decisão de onde trocar dinheiro, se vais lucrar ou perder.

Porque é que o banco central insiste em ter dois mercados?

Contexto histórico: capital ainda não totalmente liberalizado

O capital na China está a ser progressivamente aberto, mas ainda não totalmente liberalizado. Se o banco central abrisse completamente a troca de RMB, o fluxo de capitais internacionais poderia ser demasiado grande, afetando a estabilidade financeira interna. Assim, o banco adotou uma estratégia de “isolamento” — o mercado onshore protege a economia doméstica, enquanto o mercado offshore facilita as transações internacionais. É como dividir uma piscina em duas áreas: uma interior para residentes, uma exterior para turistas.

Divisão de funções bem definida

O RMB onshore (CNY) tem como missão estabilizar a ordem financeira interna, garantir o pagamento de salários, transações empresariais e investimentos domésticos. O banco central pode usar ferramentas como o “fator contracíclico” para ajustar e intervir quando necessário.

O RMB offshore (CNH) tem como objetivo promover a internacionalização do yuan. Projetos da Belt and Road, financiamento de empresas chinesas no exterior, compra de ativos em RMB por investidores estrangeiros — todas estas transações internacionais acontecem no mercado offshore. Assim, o RMB vai ganhando dimensão global sem perturbar a ordem financeira interna.

Que opções enfrentam as pessoas comuns?

Limites na troca de moeda

Se és residente, podes trocar até 50.000 dólares equivalentes por ano, devendo declarar o uso. Mas, se tiveres uma conta bancária em Hong Kong, podes trocar livremente na conta offshore, sem limite anual. Isto é útil para quem faz muitas transações transfronteiriças.

Diferenças nos produtos de investimento

Com RMB onshore, podes comprar ações A, fundos domésticos, títulos do Estado. Com RMB offshore, podes comprar ações de Hong Kong, “dívida Dim Sum” (títulos em RMB emitidos em Hong Kong), participar em derivados internacionais de RMB — a escolha é tua, mas os retornos e riscos podem variar bastante.

Risco e oportunidade na volatilidade cambial

Se uma empresa importadora pagar em RMB offshore, enfrenta maior risco cambial — se o RMB desvalorizar, os custos aumentam. Os arbitradores podem aproveitar a diferença entre CNH e CNY para lucrar, por exemplo, comprando RMB barato em Hong Kong quando a moeda desvaloriza, e vendendo mais caro no mercado interno (embora haja restrições regulatórias).

Cenários reais: como escolhem exportadores e investidores?

Cenário 1: Decisão de uma exportadora em Xangai

Uma empresa exportadora de Xangai recebe um pedido de 1 milhão de dólares. Ao trocar a moeda, enfrenta opções:

Na banca local, troca ao câmbio CNY — supondo 1 dólar = 7,2 yuan → recebe 7,2 milhões de yuan. Processo simples, com respaldo oficial, mas a taxa é controlada pelo banco central, podendo não ser a melhor.

Na conta offshore em Hong Kong, troca ao câmbio CNH — supondo 1 dólar = 7,25 yuan → recebe 7,25 milhões de yuan. Lucra 50 mil yuan a mais! Mas, para fazer isto, precisa de uma conta no exterior, o processo é mais complexo, e a taxa de câmbio pode oscilar mais, podendo perder se o mercado se inverter.

Cenário 2: Reação do mercado após aumento de taxas pelo Fed

No final de 2023, o Fed inicia ciclo de subida de taxas, levando investidores internacionais a vender moedas emergentes e a preferir o dólar. Nesse contexto:

O RMB offshore (CNH) desvaloriza rapidamente, com quedas superiores a 2% em uma semana. A reação do mercado é rápida e intensa.

O RMB onshore (CNY), embora também desvalorize, faz-no de forma mais moderada. O banco central intervém para estabilizar, aumentando a previsibilidade para as empresas.

Resultado: as exportadoras preferem a estabilidade do mercado onshore, enquanto investidores mais arriscados lamentam não terem vendido na alta do offshore.

Este design de “dois mercados” não é exclusivo da China

Índia (rupia), Brasil (real), Malásia (ringgit), Coreia (won) também têm mercados onshore e offshore. Muitos países emergentes usam mercados de “contrato a termo sem entrega” (NDF) para transações offshore — ou seja, investidores internacionais reservam uma taxa futura, sem troca real de moeda.

Este sistema visa controlar fluxos de capitais e proteger a economia interna de oscilações externas, embora a eficácia varie consoante as políticas de cada país — alguns resultados são notáveis, outros limitados. A controvérsia reside em saber se estas restrições realmente protegem a economia ou apenas atrasam os problemas.

Como evoluirá o futuro: os dois mercados vão convergir?

A diferença de preços vai diminuir

À medida que o RMB se internacionalizar e o capital for progressivamente liberalizado, a diferença entre as taxas de câmbio onshore e offshore será menor. Especialmente com o início de testes do yuan digital em transações transfronteiriças, as trocas em tempo real ficarão mais baratas e rápidas, e as barreiras artificiais entre mercados tenderão a desaparecer.

Novo equilíbrio na volatilidade

No futuro, o RMB onshore pode precisar de menos controlo rígido, aceitando mais as oscilações do mercado internacional. Mas as ferramentas do banco central (como o fator contracíclico) continuarão a ser usadas, apenas de forma mais refinada. O RMB offshore continuará a ser palco de investidores globais, mas com uma ligação mais estreita ao mercado onshore.

Novos riscos

O RMB offshore mantém-se altamente sensível a eventos internacionais inesperados. Mudanças nas relações China-EUA, conflitos geopolíticos, crises de liquidez global — qualquer grande evento pode fazer o RMB offshore oscilar rapidamente, influenciando indiretamente a taxa interna e as transações transfronteiriças.

Conclusão e recomendações finais

O RMB offshore é a “versão internacional” do yuan, com maior liberdade, mas maior volatilidade, sendo adequado para empresas multinacionais e investidores profissionais que dominam a gestão de riscos. O RMB onshore é a “versão doméstica”, com controlo de oscilações, mas menos flexibilidade, ideal para investidores comuns e transações internas.

Ambos os mercados impulsionam a internacionalização do yuan — um foca na estabilidade e segurança, o outro na liberdade e eficiência. Como os dois pneus de um carro, cada um tem a sua função, ambos essenciais. Conhecer as diferenças entre RMB offshore e onshore permite-te fazer escolhas mais inteligentes em pagamentos e investimentos transfronteiriços.

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