Aumento global na oferta de açúcar diminui o ímpeto de preços para vendas de açúcar

A atividade recente do mercado revela uma forte queda nos preços do açúcar, à medida que as principais regiões produtoras aceleram a produção. O açúcar mundial #11 de março na NY (SBH26) fechou a descer 0,12 pontos (-0,81%) na quarta-feira, enquanto o açúcar branco #5 de março na ICE de Londres (SWH26) caiu 1,00 pontos (-0,24%), com os preços em Londres atingindo uma baixa de 2,5 meses. O sentimento bearish reflete preocupações crescentes sobre o aumento das ofertas globais de açúcar, que estão a sobrecarregar a procura atual, especialmente à medida que os principais exportadores se posicionam para aumentar as vendas de açúcar nos mercados internacionais.

Boom de Produção nas Principais Regiões Exportadoras de Açúcar

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, continua a aumentar a produção a um ritmo acelerado. Segundo a Unica, a produção cumulativa de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2025-26 até dezembro aumentou 0,9% em relação ao ano anterior, atingindo 40,222 milhões de toneladas métricas (MMT). Mais notavelmente, a proporção de cana-de-açúcar moída para produção de açúcar subiu para 50,82% em 2025/26, contra 48,16% na temporada anterior, sinalizando um compromisso mais forte das usinas com a produção de açúcar em detrimento do etanol.

A Índia, o segundo maior produtor mundial, está a acelerar a produção mais rapidamente do que o previsto. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de açúcar de 1 de outubro a 15 de janeiro da temporada 2025-26 aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. Em novembro, a ISMA elevou a sua estimativa de produção para o ano completo de 2025/26 para 31 MMT, contra uma previsão anterior de 30 MMT, representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Uma mudança crítica foi a revisão para baixo da quantidade de açúcar alocada para a produção de etanol — reduzida de uma estimativa de julho de 5 MMT para apenas 3,4 MMT — uma alteração que libera uma quantidade substancial de açúcar para os mercados de exportação.

A Tailândia, a terceira maior produtora e segunda maior exportadora mundial, também está a contribuir para a expansão da oferta. A Thai Sugar Millers Corp projetou que a colheita de açúcar da Tailândia em 2025/26 crescerá 5% em relação ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT.

Perspectivas de Exportação e Impacto da Política de Quotas nas Vendas de Açúcar

A expansão da oferta disponível desencadeou mudanças políticas que irão remodelar os padrões globais de vendas de açúcar. O governo da Índia sinalizou em novembro que poderá permitir exportações adicionais de açúcar para resolver preocupações de excesso de oferta interna. O ministério da alimentação aprovou a permissão para que as usinas exportem 1,5 MMT de açúcar na temporada 2025/26, sob o seu sistema de quotas revisto. Isto representa uma mudança significativa em relação às restrições de exportação que a Índia implementou em 2022/23, após déficits de produção que limitaram as ofertas internas. Um maior acesso aos canais de exportação promete intensificar a concorrência nas vendas internacionais de açúcar, afetando particularmente os preços em mercados tradicionalmente sensíveis ao preço.

Várias agências de previsão aumentaram as estimativas de produção para a próxima temporada. A Conab, agência de previsão agrícola do governo brasileiro, elevou a sua estimativa de produção de açúcar no Brasil para 2025/26 para 45 MMT em novembro, contra uma previsão anterior de 44,5 MMT. O Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS) do USDA projetou a produção do Brasil em 2025/26 em um recorde de 44,7 MMT, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior. Para a Índia, o FAS estimou uma produção de 35,25 MMT em 2025/26, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, impulsionado por chuvas de monção favoráveis e expansão da área de cultivo de açúcar. A produção da Tailândia, segundo o FAS, aumentará 2% em relação ao ano anterior, atingindo 10,25 MMT.

O Desafio do Excesso Global de Açúcar

Analistas do setor revisaram drasticamente para cima as suas previsões de excedente global. A Covrig Analytics elevou a sua estimativa de excedente global de açúcar para 2025/26 para 4,7 MMT em dezembro, contra 4,1 MMT em outubro. A Czarnikow, uma trading de açúcar, aumentou ainda mais agressivamente a sua estimativa de excedente global para 2025/26, elevando-a para 8,7 MMT em novembro — um aumento de 1,2 MMT em relação à previsão de setembro de 7,5 MMT.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhões de MT para 2025-26, revertendo o défice de 2,916 milhões de MT da temporada anterior. A ISO atribuiu o excedente ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, com a produção global prevista para subir 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 milhões de MT.

O USDA, no seu relatório de 16 de dezembro, projetou que a produção global de açúcar em 2025/26 aumentará 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT. Simultaneamente, o consumo mundial de açúcar deverá aumentar apenas 1,4% em relação ao ano anterior, para 177,921 MMT — o que significa que o crescimento da produção supera substancialmente a expansão da procura. O USDA também prevê que os stocks finais globais diminuirão 2,9% em relação ao ano anterior, embora esta diminuição modesta esconda o excesso estrutural subjacente que pressiona os preços.

Perspetiva de Mercado: Quando Terminará o Crescimento da Oferta?

Embora a perspetiva de curto prazo para a oferta permaneça decididamente bearish para os preços do açúcar, há sinais que sugerem que o excedente pode não persistir indefinidamente. A Safras & Mercado, uma consultora brasileira, indicou em 23 de dezembro que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 contrairá 3,91%, caindo para 41,8 MMT, de 43,5 MMT esperados em 2025/26. A empresa também projeta que as exportações de açúcar do Brasil diminuirão 11% em relação ao ano anterior, em 2026/27, para 30 MMT — um fator potencialmente favorável aos preços assim que as pressões de excedente atuais diminuírem.

A Covrig Analytics espera igualmente que o excedente global de açúcar em 2026/27 seja comprimido para apenas 1,4 MMT, uma redução acentuada em relação às previsões atuais, à medida que preços fracos desencorajam novos investimentos na produção. Esta contração na oferta futura poderá, eventualmente, proporcionar alívio aos traders e compradores que navegam pelo atual ambiente de vendas ampliadas de açúcar e dinâmicas de preços competitivos.

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