As sessões recentes têm visto os preços do açúcar subir ligeiramente, com o açúcar branco NY março #11 (SBH26) a subir +0,14 (+0,95%) e o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) a subir +1,10 (+0,27%). De acordo com o acompanhamento de commodities da barchart, esta subida tem sido impulsionada por uma forte valorização do real brasileiro para máximos de 20 meses, o que desencadeou atividades de cobertura de posições vendidas entre os traders e reduziu os incentivos à exportação por parte dos principais produtores de açúcar do Brasil.
A Força do Real Brasileiro Dispara Cobertura de Posições Vendidas em Futuros de Açúcar
A valorização mais forte da moeda brasileira criou uma dinâmica de mercado interessante. Quando o real aprecia, as exportações de açúcar tornam-se menos lucrativas para os produtores brasileiros em termos da moeda local, desincentivando vendas imediatas. Esta mudança do lado da oferta levou os especuladores a cobrir posições vendidas, proporcionando um suporte temporário aos preços. No entanto, este rebound mascara um desafio mais fundamental para o mercado de açúcar: a rápida expansão da produção global.
Aumento na Produção de Açúcar: Uma Análise Mais Detalhada das Principais Regiões Produtoras
O panorama de oferta revela uma história mais complexa do que a ação recente dos preços sugere. A produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 2025-26 até dezembro atingiu 40,222 MMT, um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior, com a cana-de-açúcar moída para açúcar a subir para 50,82% em 2025/26, de 48,16% na temporada anterior—uma mudança que indica que os produtores estão a priorizar o açúcar em detrimento do etanol.
A trajetória de produção da Índia parece ainda mais agressiva. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia reportou que a produção de 1 de outubro a 15 de janeiro aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. Mais significativamente, a ISMA elevou sua previsão de produção para o ano completo de 2025/26 para 31 MMT, de 30 MMT em novembro, representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Criticamente, a ISMA também reduziu sua estimativa de produção de etanol para 3,4 MMT, de 5 MMT, o que significa que volumes adicionais podem estar disponíveis para exportação—um sinal baixista para os preços globais.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, também está a aumentar a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou um aumento de 5% para 10,5 MMT na temporada de 2025/26.
Previsões Divergentes: O Debate sobre o Excesso de Oferta
Diferentes organizações apresentam perspetivas variadas sobre o equilíbrio global de açúcar. A Organização Internacional do Açúcar previu um excedente de 1,625 milhões de MT para 2025-26, impulsionado pelo aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, com a produção global a subir 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 milhões de MT.
A trader de açúcar Czarnikow apresentou uma perspetiva ainda mais pessimista, elevando a sua estimativa de excedente global para 8,7 MMT em novembro. A Covrig Analytics também elevou a sua previsão de excedente para 4,7 MMT em meados de dezembro.
O relatório de dezembro do USDA apresentou conclusões semelhantes, prevendo que a produção global de açúcar de 2025-26 aumentaria 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo aumentaria apenas 1,4%, para 177,921 MMT. A agência espera que os stocks finais globais caiam 2,9%, para 41,188 MMT—uma diminuição moderada face ao crescimento da produção.
A Política de Exportação da Índia: Uma Variável Importante no Mercado
Um fator menos discutido, mas igualmente importante, é a evolução da política de exportação da Índia. O ministério da alimentação da Índia autorizou a exportação de 1,5 MMT de açúcar na temporada de 2025/26, após o aumento das stocks domésticas. Isto marca uma mudança significativa em relação ao sistema de quotas de exportação introduzido em 2022/23, que anteriormente restringia os embarques. Com a redução da previsão de uso de etanol pela ISMA, a Índia pode tornar-se num exportador mais agressivo, pressionando os preços globais.
O Panorama de Oferta a Longo Prazo: Luz ao Fim do Túnel
Embora as condições atuais de oferta pareçam baixistas, um ponto de inflexão potencial está à vista. A subida na produção do Brasil pode ser temporária. A Safras & Mercado prevê que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 cairá 3,91%, para 41,8 MMT, de uma previsão de 43,5 MMT em 2025/26, com as exportações a diminuir 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT. Entretanto, a Covrig projeta que o excedente global se comprimirá para apenas 1,4 MMT em 2026/27, à medida que os preços fracos desincentivam novos aumentos de produção.
Esta combinação de abundância de oferta a curto prazo e potencial aperto a médio prazo cria uma dinâmica interessante para os traders. Os ventos contrários de curto prazo, decorrentes da produção recorde, estão a colidir com restrições estruturais emergentes além da temporada atual. Para os analistas de commodities da barchart que acompanham o contrato de açúcar #5 e as tendências de mercado mais amplas, os próximos 12 meses podem revelar-se decisivos para determinar se os preços podem estabilizar-se em meio ao excedente atual ou se uma maior fraqueza está por vir.
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O mercado global de açúcar enfrenta um aumento na oferta: análise da Barchart sobre os recentes movimentos de preços e previsões de produção
As sessões recentes têm visto os preços do açúcar subir ligeiramente, com o açúcar branco NY março #11 (SBH26) a subir +0,14 (+0,95%) e o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) a subir +1,10 (+0,27%). De acordo com o acompanhamento de commodities da barchart, esta subida tem sido impulsionada por uma forte valorização do real brasileiro para máximos de 20 meses, o que desencadeou atividades de cobertura de posições vendidas entre os traders e reduziu os incentivos à exportação por parte dos principais produtores de açúcar do Brasil.
A Força do Real Brasileiro Dispara Cobertura de Posições Vendidas em Futuros de Açúcar
A valorização mais forte da moeda brasileira criou uma dinâmica de mercado interessante. Quando o real aprecia, as exportações de açúcar tornam-se menos lucrativas para os produtores brasileiros em termos da moeda local, desincentivando vendas imediatas. Esta mudança do lado da oferta levou os especuladores a cobrir posições vendidas, proporcionando um suporte temporário aos preços. No entanto, este rebound mascara um desafio mais fundamental para o mercado de açúcar: a rápida expansão da produção global.
Aumento na Produção de Açúcar: Uma Análise Mais Detalhada das Principais Regiões Produtoras
O panorama de oferta revela uma história mais complexa do que a ação recente dos preços sugere. A produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 2025-26 até dezembro atingiu 40,222 MMT, um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior, com a cana-de-açúcar moída para açúcar a subir para 50,82% em 2025/26, de 48,16% na temporada anterior—uma mudança que indica que os produtores estão a priorizar o açúcar em detrimento do etanol.
A trajetória de produção da Índia parece ainda mais agressiva. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia reportou que a produção de 1 de outubro a 15 de janeiro aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. Mais significativamente, a ISMA elevou sua previsão de produção para o ano completo de 2025/26 para 31 MMT, de 30 MMT em novembro, representando um aumento de 18,8% em relação ao ano anterior. Criticamente, a ISMA também reduziu sua estimativa de produção de etanol para 3,4 MMT, de 5 MMT, o que significa que volumes adicionais podem estar disponíveis para exportação—um sinal baixista para os preços globais.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, também está a aumentar a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou um aumento de 5% para 10,5 MMT na temporada de 2025/26.
Previsões Divergentes: O Debate sobre o Excesso de Oferta
Diferentes organizações apresentam perspetivas variadas sobre o equilíbrio global de açúcar. A Organização Internacional do Açúcar previu um excedente de 1,625 milhões de MT para 2025-26, impulsionado pelo aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, com a produção global a subir 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 milhões de MT.
A trader de açúcar Czarnikow apresentou uma perspetiva ainda mais pessimista, elevando a sua estimativa de excedente global para 8,7 MMT em novembro. A Covrig Analytics também elevou a sua previsão de excedente para 4,7 MMT em meados de dezembro.
O relatório de dezembro do USDA apresentou conclusões semelhantes, prevendo que a produção global de açúcar de 2025-26 aumentaria 4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo aumentaria apenas 1,4%, para 177,921 MMT. A agência espera que os stocks finais globais caiam 2,9%, para 41,188 MMT—uma diminuição moderada face ao crescimento da produção.
A Política de Exportação da Índia: Uma Variável Importante no Mercado
Um fator menos discutido, mas igualmente importante, é a evolução da política de exportação da Índia. O ministério da alimentação da Índia autorizou a exportação de 1,5 MMT de açúcar na temporada de 2025/26, após o aumento das stocks domésticas. Isto marca uma mudança significativa em relação ao sistema de quotas de exportação introduzido em 2022/23, que anteriormente restringia os embarques. Com a redução da previsão de uso de etanol pela ISMA, a Índia pode tornar-se num exportador mais agressivo, pressionando os preços globais.
O Panorama de Oferta a Longo Prazo: Luz ao Fim do Túnel
Embora as condições atuais de oferta pareçam baixistas, um ponto de inflexão potencial está à vista. A subida na produção do Brasil pode ser temporária. A Safras & Mercado prevê que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 cairá 3,91%, para 41,8 MMT, de uma previsão de 43,5 MMT em 2025/26, com as exportações a diminuir 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT. Entretanto, a Covrig projeta que o excedente global se comprimirá para apenas 1,4 MMT em 2026/27, à medida que os preços fracos desincentivam novos aumentos de produção.
Esta combinação de abundância de oferta a curto prazo e potencial aperto a médio prazo cria uma dinâmica interessante para os traders. Os ventos contrários de curto prazo, decorrentes da produção recorde, estão a colidir com restrições estruturais emergentes além da temporada atual. Para os analistas de commodities da barchart que acompanham o contrato de açúcar #5 e as tendências de mercado mais amplas, os próximos 12 meses podem revelar-se decisivos para determinar se os preços podem estabilizar-se em meio ao excedente atual ou se uma maior fraqueza está por vir.