Panorama Mundial da Produção de Estanho: As Principais Regiões Produtoras de Estanho do Mundo em 2024

O mercado de estanho experimentou uma trajetória dramática ao longo de 2024, com os preços a subir para US$35.575 por tonelada métrica em abril, antes de se estabilizar num nível mais moderado perto de US$28.000 até ao final do ano. Esta volatilidade reflete a complexa interação entre a crescente procura global e as significativas perturbações na oferta originadas pelas principais regiões produtoras de estanho do mundo. Desde a suspensão da mineração em Myanmar até aos desafios de produção na América do Sul, as dinâmicas da oferta de estanho em diferentes áreas geográficas continuam a moldar os fundamentos do mercado da commodity.

Drivers de Mercado: Porque o Estanho é Mais Importante do que Nunca

O estanho evoluiu para um material crítico para a infraestrutura e tecnologia modernas. A fabricação de semicondutores, a produção de veículos elétricos e os sistemas de energia renovável dependem fortemente das propriedades únicas do estanho. Com aproximadamente 50% do consumo de estanho dedicado a aplicações de soldadura essenciais para dispositivos eletrónicos—desde smartphones a painéis solares—a procura mantém-se numa trajetória ascendente. Analistas da BMI Research revisaram em alta a previsão de preços do estanho para 2024, para US$30.000 por tonelada métrica, refletindo preocupações de oferta por parte dos principais países produtores. Olhando mais à frente, especialistas do setor projetam que os preços possam potencialmente atingir US$45.000 até 2033, à medida que a procura global se intensifica.

Visão Geral da Produção Regional: Mapear o Mundo Produtor de Estanho

A oferta global de concentrados de estanho está concentrada em algumas regiões-chave, cada uma enfrentando desafios operacionais distintos e oportunidades de mercado. Compreender a capacidade de produção e as restrições dessas áreas produtoras de estanho é essencial para investidores que acompanham a resiliência da cadeia de abastecimento.

1. China: O Principal Fornecedor Mundial de Estanho

Produção: 68.000 toneladas métricas
Reserva: 1,1 milhões de toneladas métricas

A China mantém-se como o maior país produtor de estanho do mundo, embora a produção tenha mostrado uma diminuição gradual de 71.000 MT em 2022 para 68.000 MT em 2023. Apesar desta ligeira contração, a China controla mais de um terço das reservas globais de estanho, garantindo uma segurança de fornecimento a longo prazo. No entanto, tensões geopolíticas crescentes introduziram novas incertezas. Em dezembro de 2024, a China implementou novas restrições de exportação de minerais essenciais, incluindo gálio e germânio—materiais críticos para a produção de semicondutores. Analistas do setor esperam amplamente que o estanho seja adicionado a esta lista de controle de exportações, à medida que as tensões comerciais entre Washington e Pequim se intensificam em torno do domínio tecnológico em setores-chave.

2. Myanmar: A Nova Potência de Produção

Produção: 54.000 toneladas métricas
Reserva: 700.000 toneladas métricas

A produção de estanho em Myanmar aumentou dramaticamente em 2023, passando de 47.000 MT em 2022 para ocupar a segunda posição de maior produtor mundial. A maior parte da produção de Myanmar provém do estado de Wa, incluindo a mina Man Maw—uma das operações de maior capacidade de estanho do mundo. Contudo, surgiu uma perturbação crítica em abril de 2023, quando as autoridades do estado de Wa anunciaram uma suspensão da mineração, com efeito a partir de agosto de 2023, citando a necessidade de conservar recursos minerais e realizar auditorias industriais abrangentes. Esta ação teve consequências: a falha em retomar as operações na Man Maw tem sido uma constante limitação na oferta ao longo de 2024 e até 2025, sem um cronograma claro de reativação. A paralisação na mineração, processamento e transporte de minério bruto criou um gargalo na oferta que reverberou nos preços globais do estanho, afetando particularmente os fluxos de importação para a China e Indonésia.

3. Indonésia: Enfrentando Desafios de Produção

Produção: 52.000 toneladas métricas
Reserva: Não divulgada publicamente

O panorama da produção de estanho na Indonésia enfrentou turbulências significativas em 2023, caindo de 70.000 MT em 2022—uma das maiores quedas anuais entre os principais produtores de estanho. Reconhecendo a importância estratégica do estanho, o Ministério de Energia e Recursos Minerais da Indonésia designou formalmente o estanho como mineral crítico em 2023, reconhecendo a sua escassez de oferta, valor económico e papel vital em aplicações de alta tecnologia. Esta classificação indica a intenção do governo de priorizar o desenvolvimento do setor de estanho no futuro.

4. Peru: O Principal Centro de Estanho nas Américas

Produção: 23.000 toneladas métricas
Reserva: 130.000 toneladas métricas

O Peru destacou-se como o principal fornecedor de estanho para os Estados Unidos em 2023, apesar de uma redução na produção de 28.200 MT em 2022 para 23.000 MT em 2023. O setor de mineração de estanho do país é liderado pela operação San Rafael da Minsur, reconhecida como uma das maiores minas de estanho integradas do mundo. A posição do Peru como o principal produtor de estanho do Hemisfério Ocidental reforça a sua importância geopolítica nas cadeias de abastecimento que servem os fabricantes norte-americanos.

5. República Democrática do Congo: Centros de Produção de Alta Qualidade

Produção: 19.000 toneladas métricas
Reserva: 120.000 toneladas métricas

A produção de estanho na RDC registou um aumento modesto para 19.000 MT em 2023, de 18.600 MT em 2022. A Alphamin Resources opera o complexo Bisie, no leste do Congo, que alberga as duas operações de maior teor de estanho do mundo: Mpama North e o recém-concluído Mpama South. Após um grande projeto de expansão, o complexo Bisie está a aumentar a sua capacidade de produção rumo a uma meta anual de 20.000 MT, posicionando o Congo como um fornecedor cada vez mais importante para os mercados globais.

6. Brasil: O Legado do Estanho na Amazónia

Produção: 18.000 toneladas métricas
Reserva: 420.000 toneladas métricas

A produção de estanho do Brasil aumentou ligeiramente para 18.000 MT em 2023, de 17.000 MT em 2022, mantendo-se como um fornecedor consistente para os mercados globais. O setor de estanho do país passou por uma reestruturação significativa em 2024, quando a Minsur concordou em vender a sua subsidiária brasileira Mineração Taboca—a maior produtora integrada de estanho do país—à China Nonferrous Trade por US$340 milhões. Esta transação tem implicações estratégicas, pois a Taboca contribuiu com mais de um terço da produção de estanho refinado do Brasil e opera tanto a mina Pitinga como o fundidor Pirapora. Pitinga, situada na região da Amazónia, contém a maior reserva de estanho do mundo por teor de metal, com reservas comprovadas de 279.000 MT, garantindo continuidade de produção por mais de três décadas.

7. Bolívia: Gestão de Perturbações na Cadeia de Abastecimento

Produção: 18.000 toneladas métricas
Reserva: 400.000 toneladas métricas

A Bolívia igualou a produção do Brasil, com 18.000 MT em 2023, mas enfrentou obstáculos operacionais persistentes. Em março de 2023, a fundição estatal Vinto declarou força maior devido a défices de fornecimento de carvão originados do Peru, causando perdas semanais de produção de até 200 MT. Para agravar a situação, a Vinto enfrentou uma suspensão de fornecimento de meses por parte das minas nacionais Huanuni e Calquiri, devido a dívidas pendentes de US$90 milhões, levando a disputas laborais que interromperam todo o setor.

8. Austrália: Catalisador de Crescimento Emergente

Produção: 9.100 toneladas métricas
Reserva: 620.000 toneladas métricas

A produção de estanho na Austrália manteve-se relativamente estável em 2023, com 9.100 MT, um aumento marginal face às 9.000 MT de 2022. O setor de estanho do país está preparado para expandir-se, após investimentos estratégicos da empresa de mineração Metals X, que investiu AU$4,64 milhões na First Tin em 2024, adquirindo uma participação de 23%. A Metals X, co-proprietária da mina Renison na Tasmânia, pretende aproveitar a sua experiência operacional para acelerar o projeto de desenvolvimento Taronga da First Tin em Nova Gales do Sul, com produção prevista para 2027, após análises de viabilidade bem-sucedidas.

9. Nigéria: Dinâmicas de Mineração Artesanal

Produção: 8.100 toneladas métricas
Reserva: Não divulgada publicamente

A produção de estanho na Nigéria expandiu-se 15,71% ano após ano, passando de 7.000 MT em 2022 para 8.100 MT em 2023. O estado de Plateau alberga as principais reservas de estanho do país e tem assistido a uma intensificação da atividade mineira, à medida que os preços globais do estanho ultrapassaram os US$30.000 por tonelada métrica em 2024—uma valorização dramática em relação à base dos primeiros anos 2000, aproximadamente US$5.000 por MT. Contudo, o setor de estanho na Nigéria opera em grande medida fora de quadros regulatórios, com a mineração artesanal e informal dominando a produção, contribuindo com pouco receita fiscal. O setor de minerais sólidos contribuiu, no total, apenas 0,17% do PIB da Nigéria entre 2018 e 2022, segundo o Bureau Nacional de Estatísticas, evidenciando a desconexão entre volume de produção e formalização económica.

10. Malásia: Produtor Histórico do Sudeste Asiático

Produção: 6.100 toneladas métricas
Reserva: Não divulgada publicamente

A Malásia completa o top dez dos países produtores de estanho com 6.100 MT em 2023, um aumento face às 5.000 MT de 2022. A Smelting da Malásia—a segunda maior refinadora de estanho do mundo e uma entidade com mais de um século de história—está posicionada para capitalizar as previsões otimistas do mercado. A empresa registou margens de lucro acima das expectativas nos segundos e terceiros trimestres de 2024, demonstrando resiliência operacional em meio à volatilidade dos preços das commodities.

Perspetivas Futuras: Pressões de Oferta e Implicações de Mercado

O mercado global de estanho enfrenta um ponto de inflexão crítico, à medida que a procura acelera enquanto as restrições de oferta persistem em várias regiões produtoras. A suspensão prolongada da mineração em Myanmar, a transição na produção na Indonésia e as restrições comerciais geopolíticas dirigidas à China contribuem para um ambiente fundamentalmente com oferta limitada. Para investidores que acompanham estes países e regiões produtoras de estanho, a convergência de fundamentos sólidos—impulsionados pela recuperação dos semicondutores, eletrificação de veículos elétricos e implementação de energias renováveis—sugere um suporte estrutural de preços. Embora a volatilidade dos preços provavelmente persista até 2025 e 2026, a arquitetura subjacente de oferta e procura parece posicionada para sustentar preços elevados do estanho em relação à linha de base de 2010-2020, com o consenso do setor apontando para a meta de US$45.000 por tonelada métrica até 2033 como objetivo de longo prazo.

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