As pessoas ficam irritadas? Sim, ficam. Mas a questão não é sobre estar irritado, e sim se podemos deixar que a preocupação nos prenda. Pense bem, a preocupação na verdade é um estado, não uma coisa. É como as nuvens no céu, vêm e vão. Não há nenhuma preocupação que possa permanecer ali para sempre sem mudar. A razão pela qual sentimos sofrimento não é a própria preocupação, mas o fato de, quando estamos preocupados, subconscientemente pensar: “Como posso estar assim?” “Por que essa coisa caiu exatamente sobre mim?” Assim que esse “eu” surge, a preocupação deixa de ser apenas preocupação, ela se torna “eu estou preocupado”. Muitas vezes as pessoas falam de “impermanência”, não para que você compreenda a vida e a morte, mas para que primeiro veja um fato: a preocupação é impermanente, a felicidade também é impermanente. Portanto, quando estamos preocupados, não há necessidade de acrescentar uma camada de dor; quando estamos felizes, também não há necessidade de agarrar-se a isso desesperadamente. Será que o desejo pode ser eliminado? Na verdade, não é preciso “eliminá-lo”. A razão pela qual o desejo causa sofrimento não é por sua existência, mas porque ele sempre está ligado ao “eu”. Quero obter, não posso perder, preciso provar quem sou. O que realmente funciona não é reprimir o desejo, mas fazer o “eu” recuar lentamente. Russell falou de uma descoberta muito importante: quando uma pessoa coloca toda a atenção em si mesma, a preocupação se amplifica continuamente; quando você desvia o olhar, o mundo se amplia e a posição do “eu” naturalmente diminui. É por isso que os antigos julgavam a prática espiritual não pelo quanto você tem de habilidade, mas pelo quanto você tem de um “eu” tão pesado. O “eu” ainda está lá, mas já não é tão importante, isso é um sábio; o “eu” quase não domina mais você, isso é um santo. Portanto, uma pessoa verdadeiramente madura não é alguém que foge do mundo, mas alguém que, no mundo, mantém o coração sem ser puxado por ele. Ela entende as regras, entende as emoções humanas, mas não é controlada por manipulações e sutilezas do mundo; ela vê através da complexidade, mas ainda preserva a simplicidade interior. Isso é “entrar no mundo e sair do mundo”, e também “ser astuto e inocente”. Hoje muitas pessoas dizem que são budistas de coração, na verdade parecem mais que não se importam. Mas na prática espiritual, “seguir o destino” não é desistir, é não apegando-se. O que deve vir, vem; o que deve partir, vai; faço o que devo fazer de coração, sem me prender ao resultado. Hoje, ao entrar num templo, ao ver montanhas, pedras, caminhos, você vai lentamente entender uma frase: a Montanha Espiritual não é um lugar específico, ela é o momento em que seu coração encontra paz aqui e agora. Para nós, que vivemos no cotidiano, ter esse momento de recuar temporariamente do centro do “eu” já é uma prática muito valiosa.

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