Os estados do Golfo estão consumindo menos petróleo para geração de energia, mesmo com a demanda de eletricidade aumentando, segundo a mais recente Global Energy Review da Agência Internacional de Energia, divulgada em abril de 2026. O Oriente Médio está cada vez mais recorrendo ao gás natural para atender às crescentes necessidades energéticas em economias em expansão e ao uso ampliado de ar-condicionado, informou a agência sediada em Paris.
A demanda de eletricidade no Oriente Médio subiu quase 4% em 2025, enquanto as necessidades gerais de energia aumentaram cerca de 1,5%. Globalmente, a demanda de eletricidade subiu cerca de 3% em 2025, crescendo “em ritmo bem mais do que o dobro da demanda de energia”, segundo a AIE. Parte desse aumento é impulsionada por data centers, incluindo aqueles que alimentam a inteligência artificial, que viram crescimento rápido apesar de responderem por uma parcela relativamente pequena da demanda total.
No Oriente Médio, a mudança de “migração de petróleo para gás no setor de energia e nas indústrias da região cada vez mais intensivas em gás” elevou a demanda por gás natural 2,5% acima, disse a AIE. O gás natural já domina os sistemas de energia do Oriente Médio, respondendo por cerca de dois terços da geração de eletricidade, enquanto o petróleo ainda representa uma minoria significativa e é frequentemente usado para atender à demanda de pico.
A mudança para usar ainda mais gás natural acontece enquanto a região, especialmente a Arábia Saudita, faz grandes investimentos para se afastar do petróleo na geração de energia doméstica.
Jafurah, na Arábia Saudita: Como parte de seu plano de longo prazo para reduzir o uso de petróleo, a Saudi Aramco começou a produzir gás da primeira fase do projeto $100 billion Jafurah em dezembro de 2025. Espera-se que Jafurah se torne o maior campo de gás de xisto fora dos EUA e foi concebido, em parte, para substituir o petróleo bruto usado na rede de energia do país.
Expansão nos Emirados Árabes Unidos: Nos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) está expandindo a produção de gás na parte upstream e a capacidade de gás natural liquefeito, como parte dos esforços para atender à demanda doméstica, mantendo ao mesmo tempo o crescimento das exportações.
LNG do Catar: O Catar segue avançando com a expansão do North Field, um dos maiores projetos de LNG do mundo.
Ainda não está claro se, ou como, a guerra no Irã afetará esses planos. Em uma entrevista, o diretor da AIE, Fatih Birol, disse que pode levar cerca de dois anos para que a produção de petróleo e gás no Oriente Médio volte aos níveis anteriores ao conflito após danos à infraestrutura causados pela guerra no Irã. Ele disse que as pesquisas da organização sugerem que mais de 80 instalações de energia foram afetadas, com mais de um terço seriamente danificado.
Separadamente, a Global Energy Review disse que as capacidades de energias renováveis estão se expandindo rapidamente por todo o Oriente Médio. A geração solar aumentou mais de 20% em 2025, em linha com os aumentos observados nos EUA e na Índia.
A AIE disse que a capacidade renovável dobrou no Oriente Médio e no Norte da África em 2025, para cerca de 12GW, enquanto a capacidade solar da Arábia Saudita sozinha quadruplicou para quase 7GW.
P: Por que o Oriente Médio está mudando de petróleo para gás natural para geração de energia?
R: Os estados do Golfo estão fazendo grandes investimentos para mudar o foco no petróleo na geração de energia doméstica, a fim de preservar o petróleo bruto para exportação e atender à demanda crescente de eletricidade de forma mais eficiente. Projetos importantes como o campo de gás de xisto Jafurah da Saudi Aramco e a expansão de LNG da Adnoc são centrais para essa estratégia.
P: Quanto a demanda por gás natural aumentou no Oriente Médio?
R: A demanda por gás natural no Oriente Médio aumentou 2,5% em 2025, impulsionada pela migração de petróleo para gás no setor de energia e pelas indústrias da região cada vez mais intensivas em gás. Agora, o gás natural responde por cerca de dois terços da geração de eletricidade no Oriente Médio.
P: Qual é o impacto da guerra no Irã na produção de energia no Oriente Médio?
R: Segundo o diretor da AIE, Fatih Birol, pode levar cerca de dois anos para a produção de petróleo e gás no Oriente Médio voltar aos níveis anteriores ao conflito. As pesquisas da AIE indicam que mais de 80 instalações de energia foram afetadas, com mais de um terço seriamente danificado.