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A batalha épica do Tubarão Azul: Porque é que Cabo Verde vai devorar a Arábia Saudita
Cabo Verde – esta nação insular da África Ocidental, com apenas 540 mil habitantes, já empatou com dois campeões mundiais consecutivos neste Mundial, e até dominou o jogo contra o Uruguai. Na última jornada, frente à Arábia Saudita, não tenho qualquer dúvida: Cabo Verde vai conquistar a sua primeira vitória na história do Mundial, provavelmente por 2-1:
Primeira faca: Cabo Verde já não é aquela "equipa novata a fazer figuração" – tornou-se um monstro que empatou consecutivamente com dois campeões mundiais
Vamos recuar aos últimos dez dias.
A 16 de junho, Cabo Verde enfrentou a Espanha na primeira jornada. O mundo esperava uma goleada – afinal, a Espanha vale 1,22 mil milhões de euros, enquanto Cabo Verde vale apenas 55,95 milhões de euros, nem para comprar um suplente espanhol dá. E o resultado? 0-0. O guarda-redes de Cabo Verde, Vozinha, fez 7 defesas, bloqueando Yamal, Nico Williams e Oyarzabal. 27 remates, 7 à baliza, nenhum golo.
A 22 de junho, Cabo Verde enfrentou o Uruguai na segunda jornada. Que nível tem o Uruguai? 17.º no ranking FIFA, 393 milhões de euros de valor total, Núñez, Valverde, Araújo – todos estrelas dos grandes clubes europeus. E o resultado? 2-2. Pina marcou de livre direto, o primeiro golo de Cabo Verde na história do Mundial; Varela roubou a bola e marcou, levando a equipa bicampeã mundial ao limite.
Dois jogos, dois campeões mundiais, dois pontos, um golo. Esta equipa, com menos população que um quarto da zona de Tianhe, em Cantão, já provou com ações: não vieram para "experienciar" o Mundial, vieram para "conquistá-lo".
Agora, têm pela frente a equipa mais fraca das quatro. Diz-me lá, porque é que não haviam de ganhar?
Segunda faca: A Arábia Saudita já foi despedaçada pela Espanha – a ferida do 4-0 ainda sangra
Vejamos o estado atual da Arábia Saudita.
Na primeira ronda, venceram o Uruguai por 1-0, o único momento alto deste Mundial para eles. O golo de Al-Amri, após um ressalto, fez vibrar toda a Ásia. Mas qual é a verdade desse jogo? A Arábia Saudita teve apenas 37% de posse de bola, só 5 remates, enquanto o Uruguai fez 10 remates mas só marcou um. A vitória saudita não se baseou na força, mas na sorte e no desperdício uruguaio.
Depois, na segunda ronda, chegou a Espanha.
4-0. Yamal marcou de pontapé de tesoura, Oyarzabal bisou, Cucurella fez um auto-golo. A Arábia Saudita foi totalmente dominada durante 90 minutos, com a posse de bola sufocada e a defesa em frangalhos. Não foi um jogo, foi uma execução pública.
Sabes o que significa 4-0? Significa que a defesa saudita foi completamente desmascarada. Al-Dawsari tem 34 anos, a sua velocidade e reflexos já não acompanham o ritmo do Mundial. O meio-campo saudita não tem qualquer controlo, impotente face à troca de bola espanhola. Já a velocidade de contra-ataque de Cabo Verde, embora inferior à da Espanha, é mais direta e mais letal do que a do Uruguai.
Uma equipa que acabou de sofrer uma goleada de 4-0, esperas que se renove 72 horas depois? Impossível. A ferida ainda sangra, a moral já ruiu.
Terceira faca: Cabo Verde só precisa de ganhar, a Arábia Saudita tem de ganhar – mas quem "tem de ganhar" é muitas vezes quem perde mais feio
Esta é a lógica central do jogo.
Vejamos a situação da tabela. Após duas jornadas, Cabo Verde tem 2 pontos, a Arábia Saudita 1. No confronto final:
Se Cabo Verde ganhar, fica com 5 pontos, praticamente garantindo o terceiro lugar do grupo e a passagem.
Se a Arábia Saudita ganhar, fica com 4 pontos, mas ainda depende dos resultados dos outros grupos para ser o melhor terceiro.
À superfície, ambas "têm de ganhar". Mas na realidade, a mentalidade de Cabo Verde é completamente diferente.
Cabo Verde já tem 2 pontos. Empataram com a Espanha, empataram com o Uruguai, marcaram o primeiro golo da história no Mundial, conquistaram os primeiros pontos. Para eles, este jogo é "a cereja no topo do bolo" – ganhar é fazer história, empatar também é aceitável. Esta mentalidade chama-se leveza.
A Arábia Saudita? 1 ponto, tem de ganhar na última jornada, e ainda precisa de ajuda alheia. Esta mentalidade chama-se desespero. Quando uma equipa entra em campo desesperada, os seus movimentos ficam descoordenados, os seus julgamentos falham, a sua defesa deixa espaços mortais por impaciência.
A história já o provou: no Mundial de 2022, no Qatar, a Arábia Saudita venceu a Argentina por 2-1 na estreia, a Ásia inteira vibrou. E depois? Perderam com a Polónia, perderam com a Argentina, ficaram em último do grupo e foram eliminados. Surpresa na estreia, colapso depois – este é o destino da Arábia Saudita.
Já Cabo Verde é o oposto. O seu treinador, Bubista, construiu em seis anos uma equipa "difícil de derrotar". Nas eliminatórias, sofreram apenas 4 golos em 10 jogos (exceto o 1-4 contra os Camarões), a disciplina defensiva é a alma da equipa. Face a uma Arábia Saudita impaciente, que tem de atacar, as transições rápidas de Cabo Verde serão um pesadelo.
Quarta faca: O "projeto de seis anos" de Bubista – a química desta equipa já ultrapassou o valor de mercado
Muita gente olha para o valor de Cabo Verde – 55,95 milhões de euros, o mais baixo do Grupo H, até inferior aos 40,68 milhões da Arábia Saudita (espera, a Arábia Saudita tem 40,68 milhões, Cabo Verde tem 55,95 milhões – Cabo Verde é afinal mais caro). Mas o valor de mercado nunca é um fator decisivo no Mundial.
A arma mais temível de Cabo Verde é a sua química.
Bubista assumiu em 2020 e, em seis anos, completou a renovação geracional e construiu um sistema tático. Esta equipa não tem super-estrelas, ninguém joga nos cinco grandes campeonatos, mas tem algo que a Espanha e o Uruguai não têm: união absoluta.
As informações de referência indicam que, no plantel de 26 jogadores de Cabo Verde, não há divisões notórias entre titulares e suplentes, nem notícias de conflitos no balneário. Num contexto em que as outras três equipas do Grupo H têm problemas internos, Cabo Verde é psicologicamente a mais estável.
Já na Arábia Saudita, Al-Dawsari, de 34 anos, é o pilar ofensivo, mas já não é o mesmo que carregava a equipa em 2022. O meio-campo saudita carece de criatividade, a defesa é envelhecida, e contra uma equipa como Cabo Verde, que "não discute, ataca-te pelas costas", os veteranos sauditas não conseguem correr.
Quando uma equipa unida enfrenta uma equipa envelhecida, o resultado é um só: o lado jovem, faminto, sem qualquer fardo, despedaça o adversário.
Quinta faca: A bolha da "ascensão asiática" da Arábia Saudita já foi furada pela Espanha
Lembram-se de, a 16 de junho, depois de a Arábia Saudita vencer o Uruguai por 1-0, o mundo gritar "a ascensão das equipas asiáticas"? Japão, Coreia do Sul, Qatar, Austrália, Arábia Saudita – chegou a primavera do futebol asiático?
A 22 de junho, a Espanha respondeu com um 4-0: não sonhem.
A Arábia Saudita, perante a Espanha, parecia um aluno primário frente a um pugilista profissional. Posse de bola sufocada, remates bloqueados, defesa penetrada. A tal "ascensão asiática" não passa de uma bolha bonita perante os verdadeiros gigantes.
E Cabo Verde? Acabaram de empatar com a Espanha. Sabem que a troca de bola espanhola tem falhas, sabem que as equipas de topo não são invencíveis. Esta confiança, a Arábia Saudita nunca a terá.
Cabo Verde já provou que pode lutar de igual para igual com campeões mundiais. Agora, perante uma Arábia Saudita despedaçada por um campeão mundial, não têm razão para ser complacentes.
Sexta faca: A balança da história já pendeu – a "maldição da última jornada" de Cabo Verde é ao contrário
No Mundial, há uma regra interessante: as equipas estreantes tendem a explodir na última jornada.
Em 2014, a Bósnia-Herzegovina, na estreia, venceu o Irão por 3-1. Em 2018, a Islândia, na estreia, venceu a Nigéria por 2-1. Em 2022, o País de Gales venceu o Irão por 3-0 na última jornada.
Porquê? Porque as equipas estreantes passam os primeiros dois jogos a "adaptar-se", a "aprender". Na última jornada, já não estão nervosas, já não têm medo, e libertam toda a sua energia.
Cabo Verde é exatamente assim. Nos primeiros dois jogos, conquistaram 2 pontos, cumpriram a missão de "acumular experiência". Na última jornada, frente à Arábia Saudita, não têm qualquer pressão psicológica – ganhar é fazer história, empatar é honroso, perder não é vergonha.
Já a Arábia Saudita carrega as expectativas de todo o mundo árabe, a bandeira da "ascensão asiática", a pressão de ter de ganhar para passar. Essa pressão vai esmagá-los.