Gilbert Armenta Recebe Pena de Cinco Anos de Prisão por Lavagem de Dinheiro da OneCoin

O ex-parceiro de Ruja Ignatova, fundadora do esquema fraudulento OneCoin, foi condenado a uma pena de prisão significativa pelo seu papel em ocultar lucros ilícitos provenientes do esquema de um bilhão de dólares. Gilbert Armenta, de 59 anos, recebeu uma sentença de cinco anos de prisão federal do Distrito Sul de Nova Iorque (SDNY) por lavar aproximadamente 300 milhões de dólares roubados aos investidores do OneCoin. A sua condenação representa uma grande vitória na aplicação da lei na luta contínua para processar figuras-chave por trás de uma das mais notórias pirâmides financeiras do mundo cripto.

A Rastreabilidade de 300 Milhões de Dólares e Compras Ilícitas

Segundo a Bloomberg Law, a conduta criminosa de Gilbert Armenta foi muito além de simples ocultação de fundos roubados. Após lavar com sucesso 300 milhões de dólares provenientes do esquema OneCoin, Armenta utilizou esses lucros para adquirir ativos de alto padrão, incluindo uma aeronave de luxo. Ele também cometeu crimes adicionais — subornando entidades comerciais mexicanas e gastando fundos roubados diretamente às vítimas do esquema. A sua defesa tentou retratá-lo como vítima de manipulação, alegando que foi influenciado romanticamente pela “Cryptoqueen” e que esteve sob vigilância invasiva.

A investigação inicial sugeria que Armenta poderia enfrentar até sete anos de prisão. No entanto, a sua confissão de culpa em 2018 por lavagem de dinheiro, fraude eletrónica e extorsão resultou numa redução da pena. Notavelmente, após acordo com as autoridades, Armenta violou os termos ao vender a aeronave de luxo e desviar um cheque de 5 milhões de dólares — ações que evidenciam os desafios que os procuradores enfrentam ao lidar com criminosos de colarinho branco.

Armenta solicitou cumprir a sua pena na prisão federal FCI Miami, uma instalação de segurança mínima, embora o tribunal ainda não tenha decidido sobre este pedido. Matthew Lee, fundador do grupo de vigilância pública Inner City Press, tem documentado de perto o caso de Armenta e destacado a complexa teia de crimes financeiros envolvida.

OneCoin: A Decepção de Criptomoeda de Quatro Bilhões de Dólares

O esquema OneCoin representa uma das maiores fraudes em criptomoedas da história. Lançado na Bulgária em 2014, a operação defraudou sistematicamente milhões de investidores em vários países, prometendo retornos sobre investimentos em ativos digitais. O esquema operava sob uma estrutura cuidadosamente desenhada que parecia legítima, mas funcionava como uma pirâmide clássica.

Os investidores eram convidados a comprar “pacotes educativos” para negociação de criptomoedas, com preços variando de €100 a €118.000. Em troca, recebiam tokens OneCoin, que teoricamente poderiam ser convertidos em moeda real num mercado interno. No entanto, esse mercado — a peça central da operação — impunha restrições severas de venda diária, impedindo os investidores de liquidar suas participações. Quando a plataforma fechou para “manutenção” em março de 2016, reabrindo apenas em janeiro de 2017, ficou cada vez mais claro que todo o sistema foi projetado para prender o capital.

Apesar desses sinais de alerta, os operadores do OneCoin continuaram a solicitar novos investimentos ao longo de toda a operação. Autoridades reguladoras na Bulgária, Finlândia, Noruega, Suécia, Letónia e Croácia emitiram advertências públicas reiteradas de que o OneCoin provavelmente era uma fraude, aconselhando os cidadãos a evitarem participação. Ainda assim, o esquema conseguiu roubar mais de 4 bilhões de dólares antes de seu colapso final. Essa escala massiva fez do OneCoin não apenas um crime financeiro, mas uma crise internacional que afetou vítimas em várias jurisdições.

A Caçada à Cryptoqueen: Ruja Ignatova Ainda Foragida

Ruja Ignatova, fundadora búlgara e principal arquiteta do esquema OneCoin, continua sendo uma das mais procuradas do mundo. O FBI a incluiu na sua lista oficial de “Dez Mais Procurados” e oferece uma recompensa de 100.000 dólares por informações que levem à sua captura. Conhecida como “a mulher que enganou o mundo” pelo BBC, Ignatova foi vista pela última vez em Atenas, Grécia, em 2017, e seu paradeiro atual permanece desconhecido.

Especulações sobre a localização de Ignatova tornaram-se objeto de investigação intensa e atenção mediática. Algumas fontes sugerem que ela fugiu com uma parte substancial dos lucros roubados e pode estar escondida a bordo de um iate de luxo no Mediterrâneo — uma localização que apresenta desafios jurisdicionais únicos para as autoridades, pois não podem realizar operações dentro de doze milhas náuticas de águas internacionais.

Frank Schneider, ex-chefe dos serviços de inteligência de Luxemburgo, expressou uma teoria mais sombria: “Suspeito que ela foi assassinada, e embora espero que não, não há nada que prove o contrário.” Essa avaliação reflete a verdadeira incerteza sobre o destino da fugitiva.

Um desenvolvimento importante ocorreu quando um penthouse em Londres, avaliado em aproximadamente 15 milhões de dólares — comprado anos antes em nome de Ignatova — reapareceu no mercado imobiliário. Procuradores em Bielefeld, Alemanha, acusaram o advogado alemão de Ignatova de lavagem de dinheiro por facilitar transferências superiores a 21 milhões de dólares para cobrir a compra dessa propriedade londrina e de um segundo apartamento no mesmo complexo. O preço pedido foi posteriormente reduzido para cerca de 13 milhões de dólares, embora a imobiliária Knight Frank tenha se recusado a confirmar se a propriedade foi vendida, afirmando apenas que ela “cumpriu integralmente todos os requisitos legais e regulatórios”.

O reaparecimento deste ativo de alto valor levou alguns observadores a especular que Ignatova ainda pode estar viva e gerindo sua fortuna através de intermediários — uma possibilidade que mantém a investigação ativa e a recompensa vigente.

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