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Governo amplia incentivos para mineração de Bitcoin no Brasil até 2028
Apesar de representar apenas 0,375% da mineração global de Bitcoin, o Brasil acaba de receber um impulso significativo do governo federal. A administração pública expandiu a isenção de imposto de importação para equipamentos utilizados em mineração de criptomoedas, estendendo o benefício até 31 de janeiro de 2028. A medida foi oficializada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) e assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, abrangendo 29 categorias distintas de produtos isentos além dos equipamentos de mineração.
A decisão chega em um momento estratégico. Enquanto países como Paraguai (4% do hashrate global) avançam como polos de mineração na América do Sul, o Brasil ainda busca consolidar sua posição no setor. A extensão da política fiscal representa uma tentativa clara de ampliar a competitividade do país neste mercado em expansão.
ASIC com alta eficiência: os equipamentos que ganham isenção
O benefício fiscal abrange especificamente as máquinas ASIC, dispositivos desenvolvidos exclusivamente para minerar criptomoedas que utilizam o algoritmo SHA-256, como Bitcoin e Bitcoin Cash. Estas máquinas funcionam com protocolos matemáticos sofisticados que definem como essas criptomoedas são criadas e validadas na rede.
Para se qualificar à desgravação de impostos, os equipamentos devem atender a critérios técnicos rigorosos. A eficiência energética precisa ser inferior a 20 joules por terahash, medida a 35 graus Celsius, enquanto a capacidade de processamento deve exceder 200 terahashes por segundo. Em termos práticos, isso significa que apenas máquinas moderna e de alto desempenho conseguem usufruir do benefício.
A resolução entrou em vigor uma semana após sua publicação oficial. No entanto, é importante notar que a isenção aplica-se exclusivamente a importadores registrados, não abrangendo pessoas físicas que adquirem produtos via encomenda postal. O governo havia já zerado esses impostos em 2025, mas o benefício estava inicialmente programado para expirar em novembro de 2027. Agora, com a prorrogação, o prazo se estende por dois meses adicionais.
Mineração no Brasil ainda é marginal no cenário global
Para entender o contexto da mineração de Bitcoin globalmente, basta olhar para os números de hashrate divulgados pelo Hashrate Index. Os Estados Unidos dominam o setor com 37,5% dos blocos produzidos na rede, posição que segue ampliando sua margem de liderança. A Rússia figura em segundo lugar com 16,4%, enquanto a China mantém 11,7% — impressionante considerando que a atividade é formalmente proibida no país.
O Brasil, em contraste, participa com apenas 0,375% do poder computacional global dedicado à mineração. Este percentual é próximo ao de nações vizinhas como Argentina (0,328%), Bolívia (0,235%) e Venezuela (0,469%), indicando que o país não se diferencia significativamente de seus pares regionais. O Paraguai emerge como exceção na América do Sul, liderando o continente com 4% do hashrate global — mais de dez vezes a contribuição brasileira.
Por que o Brasil enfrenta desafios em mineração de criptomoedas
Apesar da isenção fiscal recém-ampliada, as limitações estruturais permanecem como barreiras significativas para o crescimento da mineração no Brasil. O alto custo da energia elétrica continua sendo o principal obstáculo. Enquanto países com energia mais barata — particularmente nações com recursos geotérmicos ou hidroelétricos abundantes — desfrutam de vantagens competitivas, o Brasil luta com tarifas elevadas.
Outro fator crítico é o clima tropical. As máquinas de mineração geram calor intenso durante a operação, exigindo sistemas sofisticados de resfriamento para manter a eficiência. Em regiões quentes, esses custos de refrigeração aumentam exponencialmente, reduzindo as margens de lucro dos mineradores.
A isenção fiscal resolve apenas uma parte do quebra-cabeça. Embora reduza a barreira de entrada para novos operadores ao eliminar impostos de importação, não consegue neutralizar os desafios de energia cara e necessidade de resfriamento intensivo. Para que a mineração de Bitcoin realmente decolue no Brasil, seriam necessárias abordagens complementares: políticas de energia mais competitivas, investimento em infraestrutura de refrigeração, e possivelmente parcerias com regiões de custos operacionais reduzidos.