As armas estão quase na cabeça, o Presidente do Irão de repente surge e diz duas frases ao mundo inteiro: primeiro, armas nucleares, nós não as vamos fazer mais; segundo, como quiserem verificar, verifiquem à vontade, a porta da minha casa está aberta, bem-vindos à visita. Parece que está a ceder, não é? Parece que na próxima segunda-feira vai assinar um acordo de rendição? Não sejam ingênuos, isto não é rendição, é claramente colocar os Estados Unidos na fogueira.



Esta jogada do Irão é muito inteligente: aparentemente a recuar, na verdade está a colocar os EUA na fogueira.

Para entender a genialidade desta jogada, é preciso primeiro ver que cartas os EUA têm na mão. Há décadas que os EUA sancionam o Irão, implantam tropas no Médio Oriente, tudo com o objetivo de manter a carta de que "o Irão quer desenvolver armas nucleares".

Esta acusação é como uma espada pendurada sobre a cabeça do Irão, mas o mais interessante é que essa espada também é um bastão para os EUA. Sem a ameaça de "ameaça nuclear do Irão", grande parte do motivo para manterem tropas no Médio Oriente desaparece.

O Presidente do Irão é muito astuto aqui: tu não dizias que eu tinha uma espada na mão? Bem, agora levanto as mãos para te mostrar — vazias.

Esta jogada, na essência, é passar o problema de volta para os EUA. Quando o Irão abre as portas das instalações nucleares e convida a Agência Internacional de Energia Atómica a verificar à vontade, e quando diz publicamente "não vamos mais fazer nuclear", na verdade está a fazer uma pergunta ao mundo: agora, que razões têm os EUA para continuarem a sancionar-me?

Se as sanções continuarem, só há uma explicação: as sanções nunca foram por causa do nuclear, mas por outras razões, talvez petróleo, talvez geopolítica, talvez simplesmente para te prejudicar. Assim, quem está a ser colocado na fogueira não é o Irão, mas os EUA.

Ainda mais inteligente é o timing: parar quando a faca está na garganta é muito mais eficaz do que parar quando tudo está calmo.

É como um confronto na rua: o outro levanta o punho, e tu de repente mostras o saldo zero no telemóvel. Como é que as pessoas vão pensar? Já estão assim, e tu ainda vais à luta? Não será um pouco exagerado?

O Irão, com a postura mais humilde possível, fez uma contra-ofensiva muito forte: mudou o foco do conflito de "crise de proliferação nuclear" para "potências fortes a intimidar as fracas". Essa mudança de narrativa é de valor incalculável.

Alguém pode dizer que o Irão está a fazer uma jogada de espera, esperando o momento passar para agir secretamente mais tarde.

Mas o problema é que, uma vez que as instalações nucleares sejam abertas à verificação, fazer truques fica muito mais caro. Além disso, a política internacional valoriza a credibilidade: hoje, se jurarem ao mundo que não querem nuclear, e amanhã descobrem que estão a esconder centrífugas, quem vai acreditar no que dizem? Para uma potência regional, perder a credibilidade às vezes custa mais do que as sanções.

Por isso, esta jogada do Irão é uma estratégia de fuga sob pressão: aposta que, neste mundo de explosão de informações, quem parecer mais vítima ganha apoio moral. Se os EUA quiserem agir, terão que enfrentar dúvidas dos aliados, críticas da opinião pública internacional e vozes anti-guerra dentro do próprio país.

O Irão passou a bola para o Biden, e o Biden pode acabar com ela numa panela de pressão. Continuar a sancionar parece irracional, aliviar as sanções parece uma piada, dado o historial de firmeza.

Resumindo, a política internacional às vezes é como um reality show: não se trata de quem é mais agressivo, mas de quem consegue fazer o público sentir mais empatia. As duas frases do Presidente do Irão, traduzidas numa linguagem simples, são: "Meus amigos, só quero viver em paz."

Honestamente, esta jogada do Irão deixou-me um pouco emocionado, não por ser particularmente inteligente, mas porque revela uma realidade: neste tempo, "falar a verdade" tornou-se na arma mais poderosa.

Quando um país é forçado a provar a sua inocência para sobreviver, isso mostra o quão distorcida está a ordem internacional.

Vamos pensar de outra forma: se o Irão realmente estivesse a desenvolver armas nucleares, a sua declaração de desistência seria, claro, uma coisa boa.

Mas, se na verdade nunca teve esse objetivo, e foi sempre injustamente acusado de querer, então as sanções destes anos, e o povo que não consegue comer, quem é que deve assumir a responsabilidade? A mensagem implícita do Presidente do Irão de "abrir as portas" é: se não tenho nada em casa, então os pedregulhos que vocês atiraram às minhas janelas ao longo destes anos, deviam recolhê-los.

Mais interessante ainda é que a eficácia desta jogada do Irão deve-se ao facto de a comunidade internacional confiar demasiado na "justiça processual". Parece que, assim que os inspetores entram, tiram umas fotos, escrevem relatórios, a verdade fica clara.

Mas a verdade nunca foi o problema. O problema é quem tem o direito de definir a verdade. Se os EUA dizem que tens armas nucleares, então tens, mesmo que mostres a porta aberta. E mesmo que escondas provas debaixo do tapete, eles podem dizer que escondeste as provas. Este poder de "quem manda" é que é o verdadeiro nó do problema nuclear do Irão.

Outro ponto interessante: o objetivo do discurso do Presidente do Irão é "todo o mundo", não apenas os EUA. Isso mostra que Teerão já percebeu que conversar só com os EUA não adianta, é preciso levar a questão para o palco da opinião pública internacional, numa guerra de "assimétricos".

É uma estratégia típica de quem está em desvantagem: como não consegue competir militar ou economicamente, tenta equilibrar na moral. Quanto longe esta estratégia vai, depende de quantas pessoas no mundo estão dispostas a ouvir, acreditar e dizer "já chega".

Por fim, quero dizer que esta jogada do Irão é uma aposta: aposta que os EUA ainda têm vergonha na cara. Se os EUA fossem uma grande potência de verdade, deviam recuar, aliviar algumas sanções e voltar à mesa de negociações.

Mas, se optarem por continuar a pressão, ou até piorar, então estão a provar por si próprios que: "ameaça nuclear" nunca foi mais do que uma desculpa, o verdadeiro objetivo é destruir o Irão que não se cala.

Quando isso acontecer, a "porta aberta" do Irão transformará-se numa espécie de espelho que revela a verdadeira face de alguns países: dizem que seguem as "regras internacionais", mas na verdade, quem manda é quem tem o punho mais forte.

Ainda não acabou o jogo, mas uma coisa já está clara: sob a sombra das armas nucleares, às vezes, dizer "não quero mais jogar" exige mais coragem do que continuar a jogar, e é uma reflexão que vale a pena.
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