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O mercado de café do Brasil altera os preços globais à medida que o clima e as cadeias de abastecimento se apertam
Futuros de café arábica e robusta dispararam na segunda-feira, com o arábica de março fechando +1,90 (+0,54%) e o robusta do ICE de março avançando +26 (+0,67%). A alta levou os preços a máximas de 1,5 semana, à medida que os participantes do mercado reavaliavam a dinâmica de oferta global. No centro desse movimento: condições climáticas deterioradas no Brasil, maior produtor mundial de café, combinadas com mudanças na produção em toda a Ásia Sudeste.
Chuva insuficiente ameaça o coração do arábica no Brasil
As preocupações do mercado de café no Brasil derivam de um evento climático crítico na sua região mais produtiva. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, principal região de cultivo de arábica do Brasil, recebeu apenas 11,1 mm de chuva na semana que terminou em 26 de dezembro—representando apenas 17% da média histórica. Essa escassez intensificou as preocupações com o abastecimento entre comerciantes e compradores.
O foco do mercado brasileiro nas condições climáticas reflete o papel desproporcional do país na oferta global de café. Qualquer interrupção na produção brasileira reverbera nos preços internacionais e na gestão de estoques. Os preços subiram à medida que os compradores se reposicionaram diante de possíveis complicações na colheita.
Desafios geográficos aumentam as pressões de oferta
Além do Brasil, o setor de café da Indonésia enfrenta severas interrupções. Inundações generalizadas danificaram aproximadamente um terço das fazendas de arábica no norte de Sumatra, ameaçando reduzir as exportações do país em até 15% na temporada de 2025-26, segundo a Associação de Exportadores e Indústrias de Café da Indonésia. As plantações de robusta sofreram menos danos, mas o impacto geral evidencia vulnerabilidades geográficas em países produtores importantes.
Enquanto isso, o Vietname—maior produtor mundial de robusta—relatou um aumento nas exportações. As remessas de café de novembro subiram 39% em relação ao ano anterior, atingindo 88.000 toneladas métricas, com as exportações acumuladas de janeiro a novembro crescendo 14,8% y/y para 1,398 milhão de toneladas métricas. A produção de café do Vietname deve subir 6% y/y para 1,76 milhão de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos) em 2025/26, atingindo o maior nível em 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname sugeriu que a produção poderia aumentar 10% acima da safra anterior se as condições climáticas permanecerem favoráveis.
Dinâmica de estoques e mudanças na política comercial
Os estoques monitorados pelo ICE refletem condições de aperto. Os estoques de arábica caíram para um mínimo de 1,75 anos, com 398.645 sacos em 20 de novembro, embora tenham se recuperado para 456.477 sacos até meados de janeiro. Os estoques de robusta diminuíram para um mínimo de 1 ano, com 4.012 lotes em 10 de dezembro, recuperando-se para 4.278 lotes no final de dezembro. Essas flutuações indicam uma tensão contínua entre preocupações de oferta e esforços modestos de reposição de estoques.
As compras de café nos EUA contam uma história diferente. Os importadores americanos evitaram o café brasileiro durante o período de pico das tarifas, causando uma queda de 52% nas compras em relação ao ano anterior, para 983.970 sacos de agosto a outubro de 2025. Mesmo após a redução dessas tarifas, os estoques de café nos EUA permanecem limitados, restringindo a flexibilidade dos compradores.
Previsões de produção complicam a dinâmica do mercado brasileiro
A perspectiva de produção de café no Brasil apresenta sinais mistos. Em 4 de dezembro, a Conab—agência oficial de previsão de safra do Brasil—aumentou sua estimativa de produção de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, frente aos 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projetou uma tendência diferente para 2025/26, prevendo uma queda de 3,1% na produção brasileira, para 63 milhões de sacos.
Globalmente, o USDA FAS projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% y/y, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Esse aumento oculta tendências divergentes: a produção de arábica deve cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Essa mudança reflete o crescimento da dominância do Vietname no mercado de robusta e as pressões climáticas nas regiões produtoras de arábica.
Estoques finais e o panorama mais amplo de oferta
Apesar das previsões de aumento na produção, os estoques finais globais devem diminuir. O USDA FAS estima que os estoques finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, frente a 21,307 milhões de sacos em 2024/25—sinalizando um aperto na oferta global, apesar do aumento esperado na produção.
A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano comercial atual (outubro a setembro) caíram 0,3% y/y, para 138,658 milhões de sacos, reforçando a visão de que a oferta permanece contestada. Para os traders que acompanham as notícias do mercado brasileiro e as dinâmicas globais, a situação apresenta uma interação complexa: pressões climáticas em regiões-chave, interrupções comerciais induzidas por tarifas, aumento da concorrência do robusta e redução de estoques, tudo convergindo para moldar a descoberta de preços. O resultado: otimismo cauteloso entre os touros e posicionamento defensivo entre aqueles que antecipam demanda mais fraca.