Antes das eleições em Uganda, o governo impôs um corte obrigatório de internet para toda a população, com o atual presidente no poder há 40 anos e o governo local sendo criticado por corrupção. Ao mesmo tempo, a aplicação de comunicação descentralizada BitChat, que utiliza tecnologia Bluetooth, ascendeu ao topo das downloads em Uganda.
O governo de Uganda, considerado corrupto pela Transparência Internacional, suspendeu o serviço de internet nesta terça-feira, alegando necessidade de garantir a segurança pública, evitar informações falsas na internet e prevenir incitação à violência. A justificativa para a medida de corte obrigatório de internet.
O atual presidente, Yoweri Museveni, de 81 anos, que está no poder há 40 anos, enfrentará um forte desafio do líder da oposição, o ex-astro da música pop Bobi Wine, de 43 anos.
Nas eleições de 2021, Uganda enfrentou protestos em grande escala, que resultaram na morte de dezenas de pessoas, e na ocasião o governo também cortou a internet por uma semana.
Fonte: Flickr, fotografia de Jairus Mmutle Presidente de Uganda, Yoweri Museveni, de 81 anos, no poder há 40 anos
Diante do corte oficial de internet, os cidadãos ugandeses buscaram soluções de comunicação offline, levando a uma demanda crescente por softwares de comunicação descentralizados.
De acordo com a Cointelegraph, o aplicativo de comunicação descentralizado “BitChat”, desenvolvido com a participação do fundador do Twitter, Jack Dorsey, rapidamente se tornou popular, atualmente liderando as paradas de downloads na App Store da Apple e no Google Play em Uganda.
A tecnologia central do BitChat é o uso de Bluetooth de baixa energia (BLE) para criar uma rede mesh (malha), operando sem depender de Wi-Fi ou dados móveis, onde os dispositivos atuam como receptores e retransmissores, transmitindo mensagens por múltiplos saltos (multi-hop) para usuários remotos.
Fonte: appfigures “BitChat” rapidamente se tornou popular, liderando as downloads na App Store de Uganda
Como o sistema do BitChat não exige cadastro, nem vinculação de telefone, nem armazenamento de dados em servidores centrais, todas as comunicações são criptografadas de ponta a ponta, tornando-o uma ferramenta resistente à censura.
Dados mostram que, em 5 de janeiro, mais de 400 mil usuários em Uganda baixaram o aplicativo, e com o corte de internet durante as eleições, espera-se que esse número continue a crescer.
Casos de uso de tecnologias descentralizadas como o BitChat já não se limitam a combater a censura política, mas também demonstram seu valor em desastres climáticos extremos.
Em novembro de 2025, o furacão de categoria 5 Melissa devastou a Jamaica, causando o colapso completo da energia e das comunicações do país. Em meio ao colapso das torres de transmissão e à rede totalmente interrompida, o BitChat tornou-se a única ferramenta dos desabrigados para informar seus familiares com segurança, além de se tornar o segundo aplicativo mais popular na região.
Fonte: Cointelegraph O BitChat chegou a ser o segundo aplicativo mais baixado na App Store da Jamaica e no Google Play
Seja enfrentando bloqueios governamentais artificiais ou a destruição de infraestrutura por furacões, os casos de Jamaica e Uganda destacam a resiliência das tecnologias de comunicação descentralizadas para resistir a ambientes extremos.
Talvez isso também ajude os investidores a perceberem que tecnologias descentralizadas não são apenas símbolos de especulação financeira, mas soluções importantes para reforçar infraestrutura pública e manter o funcionamento social básico.
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